19/12/2017

24 [ RESENHA ] O Menino da Lista de Schindler

Título: O Menino da Lista de Schindler
Autor: Leon Leyson
Editora: Rocco
Páginas: 256
Estrelas: 5/5 ♥
Livro: Cortesia da Rocco
Misto de biografia e romance de formação, O menino da lista de Schindler acompanha a trajetória de Leon Leyson, o mais jovem integrante e um dos últimos sobreviventes da famosa lista de judeus salvos pelo empresário alemão Oskar Schindler durante a Segunda Guerra Mundial. Intenso como O diário de Anne Frank, o livro chega ao Brasil pelo selo Rocco Jovens Leitores depois de alcançar a prestigiosa lista dos mais vendidos do jornal The New York Times, e oferece uma perspectiva única do Holocausto. Um relato emocionante, corajoso e humano que precisa ser contado às novas gerações.


Acreditem se quiser, mas essa foi a resenha mais difícil de escrever da minha vida. Sempre quando termino de ler um livro começo a resenha-lo de imediato, e não consegui fazer isso com O menino da lista de Schindler, faz mais de 1 mês que li o livro e somente agora consegui resenha-lo para vocês, devem imaginar o quanto essa história mexeu comigo.

"Um herói é um ser humano comum que faz a melhor coisa no pior momento"

Leib Lejzon (Leon Leyson), o caçula de 5 irmãos, sendo quatro meninos (Hershel, Tsalig, David e Leyson) e 1 menina (Pesza). Nasceu e cresceu em Nerewka uma pequena aldeia de agricultores, ferreiros, açougueiros, professores e comerciantes, contendo mais de mil judeus. 
Judeus e cristãos viviam em "harmonia" em maior parte do tempo, mas as coisas mudavam em algumas partes do ano, como por exemplo na pascoa, judeus passavam a ser julgados  assassinos de Cristo, eram humilhados e muitas vezes agredidos e apedrejados nas calçadas. Leyson não conseguia entender aquele comportamento, por que o culpavam de matar alguém que tinha vivido e morrido muito antes dele nascer? Não fazia sentido nenhum para uma criança.

A vida parecia uma viagem sem fim e livre de preocupações. Por isso, nem mesmo o mais assustador dos contos de fadas poderia ter me preparado para as monstruosidades com as quais me depararia poucos anos mais tarde, para todas as vezes em que eu escaparia à morte por um triz ou para o herói disfarçado de monstro que salvaria a minha vida. Meus primeiros anos não me prepararam para o que estaria por vir.


Seu pai Moshe, consegue um emprego em uma fabrica e com muita dedicação consegue subir de cargo diversas vezes, recebe uma proposta de emprego em Cravóvia (uma cidade grande), sabendo que é a única maneira de dar uma vida melhor para os 5 filhos e a esposa ele acaba aceitando o emprego e se muda para a cidade grande (levando apenas o filho mais velho) prometendo que voltaria para busca-los quando estivesse financeiramente estabelecidos, já que não havia condição de levar todos naquele momento.



A cada seis meses Moshe voltava à Nerewka para visitar a família. Sem o pai presente diariamente a família passava por momentos dificies, por sorte os avós de Leyson levava batatas e beterrabas para os netos e assim eles viveram por cinco anos, o tempo que levou para Moshe conseguir juntar todo o dinheiro para buscar os filhos e a esposa para morar com ele em Cracóvia. Leyson tinha 8 anos e estava empolgado com sua primeira viajem.

Havia cerca de 60.000 mil judeus em Cravóvia, um quarto da população local.

Final de 1938 as coisas mudaram para os judeus. Durante o verão de 1939 Cravóvia se preparava para a guerra. Os pais de Leyson havia passado pela primeira guerra, mas não sabiam que estavam prestes a passar por algo mil vezes mais perturbador.  Como Moshe na primeira guerra tinha sido recrutado para trabalho forçado para os Alemães, ele resolveu que deveria voltar para Nerewka com o filho mais velho, certo de que lá estaria livre do recrutamento e como seus outros filhos eram pequenos acreditava que seriam polpados. Então Leyson viu o pai partir com Hershel, sem saber se os veriam outra vez.

Cinco dias depois os Alemães chegam em Cracóvia e semanas depois seu pai retorna, pois havia se sentido culpado por deixar a esposa e seus 4 filhos, apenas Hershel prosseguiu viagem. 


Pouco a pouco a vida dos judeus foi piorando, perdiam o direito a uma vida normal, como frequentar certos lugares, ou setarem nos primeiros acentos dos bondes, chegando o ponto de serem proibidos de usarem o veiculo.
Alemães começam saquear comércios judeus, apartamentos e até mesmo a fabrica de Moshe trabalhava e todos os judeus foram demitidos, menos Moshe, pois falava alemão e poderia servir de tradutor. Isso dava um pouco de vantagem para sua família, algo que infelizmente não durou muito. Logo os judeus foram separados da população, uma parte pequena da cidade foi murada e todos judeus foram jogados ali como se fossem animais (o lugar era chama de o gueto) e muitos que saiam daquele local ia para o matadouro, ou lugares piores.

"Quando sai do gueto e andei pelas ruas de Cracóvia, era como se eu estivesse numa viajem no tempo... ou como se o gueto ficasse em outro planeta. Eu olhava as pessoas limpas e bem-vestidas, ocupadas, indo de um lugar a outro. Todas pareciam tão normais e tão felizes. Será que não sabiam o que estávamos sofrendo a apenas alguns quarterões de distância? Como poderiam não saber? Como poderiam não fazer nada para nos ajudar?"

O que mantinha Leyson e sua família viva era o fato que seu pai trabalhava na fabrica de Schindler o Alemão herói disfarçado de monstro, a quem Leyson foi grato até seu último dia de vida.

Oscar Schindler achou que a minha vida era importante. Achou que valia a pena me salvar, mesmo que isso colocasse a sua própria vida em risco.

Toda a história de Leon Leyson é muito descritiva, o que torna o livro dolorido de ler e mesmo assim li o livro em menos de um dia, por conta da escrita envolvente. Me peguei chorando em diversos momentos e não estou falando de lagrimas correndo pelo rosto apenas, minhas lagrimas vinham carregadas de sofrimento, de dor, sabe quando você se vê encolhido chorando e com um aperto no peito? Foi isso que senti lendo o livro. Parecia que Leyson fazia parte da minha familia e saber que ele passou por todo aquele sofrimento doeu muito.


O autor fala que ouvia pessoas falando em fome sem saber de fato o que significa sentir fome, Leyson com apenas 12 anos sentia fome 24 horas por dia, saia pelas ruas a procura por algo para comer e quando encontrava cascas de batata era como se visse um banquete em sua frente e ainda dividia com sua família. 

Aquela altura, a sobrevivência era, mais que tudo, uma questão de pura sorte.

Assim que terminei de ler o livro, já passei para meu marido que leu em dois dias e depois passamos para meu sogro que o leu em dois dias também, minha sogra é a próxima da fila... Então já conseguem imaginar o quão maravilhoso é o livro, o quão rico de lição de vida ele é. Tenho certeza que qualquer pessoa que conhecer a história de Leyson não será mais o mesmo.

Uma das pouquíssimas autobiografias que li e sem dúvida marcou minha vida. Recomendo o livro para qualquer pessoa, independente se gosta ou não de autobiografia (eu também não sou fã), ou de histórias que se passam durante a guerra (nesse caso já amo), independente do que você curte lê, eu aconselho que dê uma chance á essa história, tenha certeza que sua vida não será a mesma assim que você chegar na última página. 

Uma das frases que mais me fez chorar, eu lia soluçando e com uma dor de perda no peito.
Lembro que me perguntei: Quanto tempo Tsalig vai conseguir prender a respiração na câmera de gás? Será que o suficiente para sobreviver?
Esse trecho mexeu tanto comigo, pois conseguimos ver claramente a pureza de Leyson, até porque ele era apenas uma criança perdida no meio do caos, ao redor de verdadeiros monstros crueis.

Um livro emocionante, carregado de sofrimento, determinação, fé, amor, persistência, luta, garra, humildade e muito, muito mais. Simplesmente amei.



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24 comentários:

  1. Acredito que a leitura desse livro deva ser bem pesada, mas bastante interessante. Já li alguns livros com essa temática e sempre é uma leitura relevante. Gostei do post! Boa sorte com o blog :)

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    1. É um livro cheio de sofrimento, mas a leitura é bem fluida como foi falado. Espero que dê uma chance ao livro.
      Obrigada

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  2. Oi
    Nao conhecia o Livro mas fico feliz que ele te agradou tanto. No caso nao sou fa de autobiografia e nem de livros da segunda guerra mas esse parece ser interessante porem bem pesado ainda mais porque realmente aconteceu.vou anotar a dica para quem sabe um futuro.
    Raquel Machado
    Leitura kriativa
    Http://leiturakriativa.blogspot.com

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    1. Dê uma chance sim, tenho certeza que você vai curtir. É um livro lindo.

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  3. Olá!
    Acho que não combino com esse tipo de leitura, mas achei o maior barato o fato da leitura estar seguindo adiante através do seus familiares. As vezes é tão difícil alguém se interessar por nossos gostos literários.
    Adorei poder conhecer mais através da sua experiência com a leitura.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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    1. Foi um livro maravilhoso, e recomendo para todo mundo, acho que deveria dar uma chance.

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  4. Livros com essa temática sempre são uma experiência muito emocional para mim, também costumo ler e chorar bastante. Essa história por envolver criança com certeza me faria chorar também.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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    1. Sempre mesmo, chorei horrores, senti a dor do personagem.

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  5. Olá, pela sua resenha esse parece ser um livro muito tocante, assim como normalmente são os livros sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial, livros muito importantes para que nos lembremos sempre que as diferenças não podem ser maiores que nossa humanidade.

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    1. É sim. Disse tudo, é realmente um livro que todo mundo deveria ler, pelo menos um na vida sobre os horrores da Segunda Guerra.

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  6. Embora seja sempre difícil de ler, eu gosto de livros que abordem a Segunda Guerra Mundial e mostrem como foi o sofrimento dos judeus, é cruel demais. Eu ainda não conhecia esse livro e já incluí na minha lista.

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    1. Também gosto muito. Leia sim e depois me conta... Acho que vc vai gostar.

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  7. Oi tudo bem?

    Não conhecia o livro mas fiquei bem curiosa ao ver que o livro lhe agradou tanto me parece ser uma história muito emocionante daquelas que mexem com nosso psicológico.


    Beijos,


    www.leitorunicornio.blogspot.com

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    1. Oi, Que bom que gostou, espero que você leia em breve.

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  8. Eu sempre me acabo de chorar quando leio livro com a temática da Segunda Guerra pelos olhos das crianças. Eu tinha visto esse livro, mas não havia lido nenhuma resenha. Vou anotar para leitura futura. É tipo de livro que eu gosto muito. Acho importante a gente conhecer esse tipo de horror para que nunca mais venha acontecer.

    Beijos

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    1. São sempre emocionantes né?
      Eu sempre via esse livro e resolvi ler, me apaixonei na hora.
      Que bom que vai ler, fico muito feliz, depois me conta.

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  9. Oi taty, eu não li este ainda, mas vi o filme A Lista de Schindler, por isso sei a angústia que passou. Alias, deve ter sido até maior, já que a narrativa é feita pela criança, o que acaba deixando tudo ainda mais dolorido. Só de ler o quote me apertou o coração, imagino que com o livro precisaria de algumas caixas de lenço.
    Bjs, Rose

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    1. Oie.
      Eu ainda não vi o filme A Lista de Schindler, mas quero ver, o filme é citado nesse livro também, uma das partes mais marcantes para mim..

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  10. Oi Taty,
    Eu vi o famoso filme A Lista de Shindler e me arrepio até hoje ao lembrar. Existem coisas na vida que nunca entenderei, a crueldade ao qual eles foram submetidos é uma delas. Vou colocar o livro na lista e já sei que irei sofrer.
    bjs.
    Pri.
    http://nastuaspaginas.blogspot.com.br/

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    1. Oie, tudo bem?
      Quero muito ver esse filme, está na minha lista a muito tempo. Falou tudo, realmente tem coisas que não dá para entender, tanta crueldade.
      leia sim.

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  11. Olá,
    Menina que dom é esse de acabar de ler e fazer resenha? Eu levo ao menos uns 4 dias pra isso rs
    Sobre o livro já ouvi falar, e gosto dessa carga dramática, apesar de não ser fã de biografias... mas parece ser tão emocionante que estou pensando em ler também!
    Ótima resenha.

    Debyh
    Eu Insisto

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  12. Olá
    Realmente é sempre bom ler uma opinião de quem realmente leu o livro, que resenha maravilhosa, já imaginei muitas coisas sobre o livro baseada no que me lembro do filme e posso ter certeza de que realmente é aquela leitura que vc via lmbrar e indicar pra sempre. Já anotei a dica, mas livros assim leio no tempo certo ( até porque acabei de ler um liro que foi bem marcante também), mas quero ler sim.
    Bjus
    Jis Rocha
    Blog Cá Entre Nós

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  13. Oi, tudo bem?
    Alguns livros são difíceis mesmo de serem resenhados.
    A temática deste livro não me agrada, por isso eu não o leria, sua resenha ficou ótima!
    Bjs

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  14. Olá, tudo bem?

    Confesso que leio bem poucas autobiografias, mas que essa me deixou interessada.
    É uma época ainda muito dolorida e obscura da história do mundo, e as vezes a gente precisa de uns "tapas na cara" pra vermos o mundo. Bem, indicação super anotada!

    Beijo!
    Ana.

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