17/07/2017

[ RESENHA ] Ponto Sem Retorno

Título: Ponto Sem Retorno (Saga Giselle #1)
Autora: Gabriela Simões
Editora: Edições Vieira da Silva
Páginas: 238
Estrelas: 5/5
  Giselle Levy é meio-bruxa e vive isolada do mundo com o seu avô, escondida do olhar do rei. É cuidadosa e astuta, contudo, numa tentativa de sobreviver, foi apanhada e chantageada por um dos príncipes de Kendrad, Cristian, que promete não a entregar, se ela for trabalhar para o palácio. Num dilema, ela coloca em perigo a sua identidade e passa a trabalhar no palácio, onde terá de lidar com as constantes tentativas de sedução do príncipe Cristian, os misteriosos olhares de príncipe Eli, os encontros escondidos com o seu melhor e único amigo, Rylan, e um rei desumano com segredos obscuros. Giselle vive numa constante incerteza e angústia de ser descoberta, amargurada pelo facto de não poder ser livre, encontra uma misteriosa sala, com um poderoso encantamento que poderá mudar tudo. Assertiva, inteligente e defensiva, irá deparar-se com uma escolha que mudará para sempre a sua vida e a ideia que tem si própria.
 


Há 25 anos, o Reino de Kendrad era uma terra de paz com seres mágicos e não mágicos. Até que um dia, o Rei colocou um mandato em todas as ruas do centro e das províncias, decretando ordem de captura a todo o tipo de magia. Onde seres foram levados, tratados como monstros e queimados numa fogueira em praça pública. Muitos fugiram e outros lutaram, mas estavam em minoria e foram derrotados facilmente. A revolta durou cerca de 20 anos, com a ajuda do avô, a mãe de Giselle conseguiu permanecer fora do alcance dos guardas, até dar a luz e sua energia ser liberada com extrema intensidade. Por conta disso, ela fora captada pelos sensores dos guardas, cujo objetivo ao serem treinados pelo próprio Rei é sempre reconhecerem qualquer tipo de magia e extingui-la rapidamente.

Após a morte de sua mãe, Giselle ficou aos cuidados do avô, que a levara para um asilo, longe de Kendrad e do olhar do Rei, para que não tivesse conhecimento da existência deles e para que todos pensassem que a magia desaparecera. O que não era verdade, pois mesmo não se considerando uma bruxa muito poderosa, Giselle conseguia acelerar o crescimento das plantas, teletransportar-se em pequenas distâncias e fazer alguns feitiços que lia nos livros de bruxaria de sua mãe. Porém, ela raramente usava magia, e o medo constante a mantinha sempre alerta caso sua energia fosse identificada. Sua vida era praticamente uma luta pela sobrevivência, os momentos raros de descanso e liberdade eram apenas quando ela estava cavalgando pelas colinas e florestas com Nessie, uma linda égua com pelos brancos que nunca se sujavam. Por ser conhecida pelo seu temperamento explosivo, além do seu avô, havia um rapaz chamado Rylan Poskitt, seu melhor amigo e a segunda pessoa mais importante da sua vida. Ele era o único que conseguia entendê-la e que sabia sobre o seu segredo. Juntos, eles tinham o desejo de fugir para bem longe de tudo que conheciam. Contudo, ela não poderia fazer isso, por conta do avô, que não aguentaria a viagem, e principalmente, porque começara a adoecer.       

Mesmo não sendo seu avô de verdade, (quando sua mãe ainda era criança, ele a acolhera como se fosse sua filha), ele era a sua única família e Giselle não deixaria que nada ruim acontecesse com ele. Seu estado era mal, porém mesmo sendo um senhor muito gentil, assim como ela, ele era teimoso e não aceitava ordens para ficar de cama. Por não poder trabalhar, sem que as pessoas desconfiassem, para conseguir comida, Giselle costumava caçar na floresta ou em medidas extremas, ela roubava.  E neste dia, ela teria de optar pela medida extrema. Giselle estava ficando preocupada, pois a comida estava acabando e mesmo sendo arriscado, ela teria de ir ao centro de Kendrad. Porém, este não era um dia normal, pois era o início da Parada dos Príncipes, o acontecimento mais importante do Reino. Um desfile do palácio até o centro com o intuito de o povo conhecer seus governantes. Ou seja, haveria muitos guardas.

“Daqui consigo observar os príncipes a saírem dos portões do palácio, sentados nas carruagens majestosas e resplandecentes, puxadas por cavalos castanhos e imponentes. São douradas e altivas, transpiram vaidade e dinheiro. Os príncipes acenam aos seus súbditos de formaelegante e algumas raparigas suspiram, sonhando com uma vida luxuosa. É simplesmente patético. Queria vê-los no asilo a lutarem por um pão para comerem, na ânsia de sobreviver. Talvez os seus problemas principescos fossem menores. Desço da árvore e dou ordem a Nessie para ficar. Caso seja necessária uma fuga rápida, preciso de ter a certeza da sua localização. Deslizo com os pés enterrados na vegetação até chegar às terras do centro e coloco-me atrás duma pequena tenda. A tendeira está completamente vidrada nos príncipes, como se esses possuíssem um encanto sobrenatural. Adorava conseguir ver o que ela vê. Aproveito a ocasião e, discretamente, tiro meia dúzia de maçãs e coloco-as dentro do saco que carrego comigo.”

Mesmo com um encantamento em seu manto, que serviria de escudo e impediria que os guardas sentissem sua energia, Giselle não fazia ideia de quanto tempo ele duraria, então teria que ser rápida. A princípio, ela tem a oportunidade de roubar meia dúzia de maçãs das tendas ao redor, pois enquanto os príncipes passavam, era como se a multidão estivesse hipnotizada. Estava dando tudo certo, porém, a sua ambição fala mais alto quando avista uma jóia preciosa perto da carruagem real que estava muito próxima do chão. Com isso, Giselle tem a “brilhante” ideia de roubá-la, pois ela poderia fazer uma bela troca e não precisaria mais roubar por meses. Contudo, como já era de se esperar, o plano dá totalmente errado e ela tenta fugir o mais rápido possível. Mas mesmo sendo muito habilidosa com Nessie, não era o suficiente, pois um dos príncipes consegue alcançá-la, e não apenas derrubá-la na floresta como também vê o seu rosto.

Seu nome era Cristian Collin, o filho mais velho do rei e o mais galanteador. Após ficar surpreso por perceber que o ladrão era, na verdade, uma mulher, ele fica encantado por sua beleza. Com Nessie muito cansada da corrida, Giselle não tinha condições para fugir.

“Levanto-me e inconscientemente começo a analisá-lo. Cabelo loiro, com um corte semelhante ao do outro príncipe, menos arranjado devido à perseguição, alguns fios de cabelo caem-lhe por cima dos olhos cinzentos muito claros. Veste um casaco azul comprido com botões dourados abotoados até ao topo. As calças são brancas e estão rasgadas na zona dos joelhos, contudo não parece atrapalhado com isso. Este príncipe focou toda a sua atenção em mim. Ele é atraente, não há dúvida. Parece-me aventureiro, perspicaz, e ao mesmo tempo convencido e arrogante. Devo manter a distância e recuar; na verdade, devia fugir, mas Nessie não está pronta para uma fuga inesperada e estrategicamente ágil. Pouso-lhe a mão no pescoço e sinto a sua pulsação acelerada, o seu cansaço encontra-se com o meu. — Mas tu não és… os guardas disseram… — começa, ainda confuso, levantando-se lentamente. — Os guardas não me viram o rosto, ninguém viu. Não deixo a minha identidade ser revelada a qualquer um, para além disso, os guardas, tal como o príncipe, são preconceituosos e não estavam a espera de encontrar uma miúda nestas lides. — A minha admiração provém simplesmente de ser, sem qualquer dúvida, uma mulher bela, sem qualquer necessidade de roubar. De certeza que, se pedisse ajuda, qualquer homem do centro a ajudaria. Caso não o fizessem, poderia recorrer a mim, teria todo o gosto em a socorrer. — Pode parar imediatamente com esse jogo de sedução. Não sou uma das suas admiradoras do centro. Esse seu charme principesco, quede charmoso tem tanto como o meu dedo mindinho do pé, é escusado. Por acaso, pareço alguém que precisa dum homem ou de quem quer que seja para me desenrascar? Caso não se tenha apercebido, derrubei todos os guardas do seu reino sozinha. Devia preocupar-se em reforçar a segurança, em vez de arranjar mais uma conquista para a sua coleção — tento controlar-me para não gritar, mas falho redondamente.”

 Durante a conversa entre elogios, pelo lado do príncipe, e farpas, do lado de Giselle. Cristian fica tão impressionado com a jovem que decide lhe fazer uma proposta onde haveria escapatória, pois ela deveria escolher entre trabalhar no castelo como tratadora dos cavalos ou ser presa pela tentativa de roubo da joia real. O trabalho teria um prazo, até que ela conseguisse dinheiro suficiente para pagar pelas joias. Contudo, como ela iria trabalhar no local mais perigoso para uma bruxa? E o pior, com o seu aniversário de 18 anos chegando, seria impossível controlar os seus poderes, pois quando uma bruxa atinge essa idade, a energia fica muito mais forte. Cristian lhe dá um prazo de um dia para pensar, e que no dia seguinte, ele iria encontrá-la.

Depois de contar a notícia ao seu avô e descobrir que não havia outra solução, ela decide fazer um feitiço que extinguisse a magia do asilo e do seu corpo, porém no livro não dizia por quanto tempo ele faria efeito, então ela teria que contar com a sorte. Após se despedir de Rylan, com uma promessa de que se veriam de alguma forma, ela abraça o seu destino. Mas ela descobrirá que além de haver muitos perigos no castelo, por ser uma bruxa no meio de guardas altamente treinados para descobrir qualquer magia, um rei desconfiado das suas intenções no castelo, passagens secretas, feitiços guardados, pesadelos constantes sobre ser queimada viva pelo Rei, e pessoas que querem vê-la morta. Ela também estará num dilema entre o que sente pelos dois príncipes Cristian e Eli. Uma história linda, divertida, envolvente, com mistérios e reviravoltas surpreendentes. Onde a magia, o amor e o dever para com o destino são muito importantes nessa trama.

“— Tendo em conta a inesperada doença de Barnabas Nokel, pensamos que estarias apta para assumir o seu papel, pelo menos por um dia — explica-me Eli. A sua voz rouca soa-me a uma melodia natural, como o vento a bater nas ervas mais rasteiras do chão. Poderia ouvi-la o dia todo, sem nunca me fartar dela. — Pensámos? — grito, colocando a cela a Peter e Flyn. — Isso quer dizer que os príncipes de Kendrad são os responsáveis por esta situação? — Sendo mais preciso nas minhas palavras, o meu irmão Cristian sugeriu esta alternativa, com a qual concordei rapidamente. Cristian aproveitou de imediato um furo para se voltar a meter na minha vida. Não poderia simplesmente deixar-me em paz? Dentro de mim, uma vontade de afirmar a raiva que sinto por ele, por não ter cumprido a sua palavra, é cortada pelo alívio e felicidade crescente. Odeio-o ainda mais por isso. — Qual foi a parte que não percebeste, Eli? — range Cristian entre dentes. Franzo os lábios para evitar sorrir, enquanto pego nas rédeas de Flyn e Peter com uma mão e as de Nessie com outra. Entrego as rédeas aos respetivos príncipes, monto Nessie e avanço em direção ao campo de areia. — Neste momento isso é irrelevante, montem os respectivos cavalos e vamos fugir um pouco à rotina principesca. — Isso quer dizer? — pergunta Eli, enquanto monta Flyn, colocando- se atrás de mim.— Pôr mãos à obra e trabalhar. Cálculo que não estejam acostumados a sujar as vossas vestes, todavia não garanto que os vossos casacos mármore mantenham a cor original. — Cristian esboça um leve sorriso. — O principal objetivo desta aula será tornar o vosso soberbo econstante sorriso menos frequente. — Estando na tua presença, Giselle, creio que isso não seja possível— comenta Cristian, erguendo o queixo na minha direção. Na minha mente, um pensamento luminoso acende-se, é um pouco sádico, mas dar-me-á uma satisfação desmedida. Divirto-me a torturar a mente dos habitantes do palácio, tenho de admitir.— Por cada frase medíocre ou qualquer intervenção inadequada, terão de dar cinco voltas a correr, no respetivo cavalo como é óbvio, em volta do campo de treinos. Pode começar, príncipe Cristian — digo, sorrindo e com um pequeno encolher de ombros. É incrível como nada parece abalá-lo. Abre um largo sorriso e puxa as rédeas de Peter para trás. Acaba as cinco voltas, sem perder o brilho triunfante nos olhos, nem tão pouco o sorriso constante nos lábiosencarnados e carnudos.”

OMG, que final foi essee? Adorei a escrita da Gabriela, pois ela possui uma escrita tão viciante que terminei o livro em dois dias, agora estou ansiosa para ler o segundo haha. A escrita é feita em primeira pessoa na versão de português de Portugal, onde podemos ler pela perspectiva da nossa personagem principal, o livro também possui frases no início de alguns capítulos. A capa está maravilhosa e retratou muito bem a personagem principal. Em relação a alguns personagens, Giselle é uma jovem linda, divertida e explosiva ao extremo, e o mais legal é que isso não a torna irritante, e sim engraçada.

Os príncipes também não ficam para trás. Cristian é implacável, sedutor e bastante convencido, porém Giselle irá perceber que ele também tem outro lado, o gentil e cujo desejo de ser livre de suas obrigações é muito parecido com o dela. Já Eli, é o filho mais novo, e o mais sério dos dois, com o seu vocabulário principesco, como a Giselle mesmo diz, ele muito educado, mas não se enganem, pois ele também tem seus truques e que irão surpreender os leitores.  Estou tão encantada com os dois que ficou difícil escolher qual é o meu preferido haha. Amo gêneros de fantasia, por isso fiquei muito curiosa para saber mais sobre os poderes da Giselle e os mistérios que o castelo escondia. Vale à pena conferir!

11 comentários:

  1. Heiii, tudo bem?
    Nossa, adorei a premissa do livro!
    Pela capa eu nao imaginei que se tratava de uma fantasia e gostei de conhecer mais sobre o livro Ponto Sem Retorno.
    Adoro conhecer novos autores e esse pelo jeito tem um jeito especial de escrever.
    Valeu pela dica de leitura.
    Beijos.

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    1. Oii, Suzzy! Quando eu vi pela primeira vez, também não imaginava que era do gênero fantasia haha. Que bom que você gostou, simm eu curti bastante a escrita da Gabriela. De nada, espero que goste. Bjss!

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  2. Imaginei um enredo totalmente diferente, me baseando na capa!
    Parece ser um livro incrível!
    Já quero ler!
    Amei sua resenha, obrigada pela dica!
    Beijos

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    1. Oii, Yohanna! Pois é, a capa engana um pouquinho haha. Obrigada, espero que goste. Bjss!

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  3. Não conhecia a história mas pelo que você resenhou parece ser bastante envolvente e me deixou com vontade de lê-lo. Vou procurar.

    Bjs
    Suka
    http://www.suka-p.blogspot.com.br

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    1. Oii! É muuito viciante, leia sim. Espero que goste, bjss!

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  4. Oi, tudo bem?
    Nossa quantos elogios!! Também adoro fantasia!! Achei a capa do livro linda e o enredo da história mega interessante, mas confesso que não leria por esta em português de portugal.
    Bjs!
    Fadas Literárias

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  5. Olá tudo bem?
    Acho que essa é uma ótima leitura para aqueles que são amantes de fantasia. No entanto esse é um dos gêneros que eu menos leio, por não me sentir muito familiarizada com ele, por isso não me decidi se leria ainda, mas não vou descartar de imediato, pode ser que no futuro eu goste.

    beijinhos!

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  6. Olá, tudo bem?

    Gostei desse livro! Fantasia não é meu gênero predileto, mas curti muito. Sua resenha me deixou bem curiosa. Vou anotar na listinha, e quem sabe em breve eu leia.

    Beijos
    Laneh Martins

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  7. Olha, eu estava achando a história muito interessante, mas aí você disse que o livro era em português de Portugal e foi quando desisti da leitura. Sei que a maior parte das pessoas lê tranquilamente, mas para mim não funciona, não flui, acho muito mais difícil que ler em inglês, por exemplo. Amo fantasia mas dessa vez infelizmente terei que passar a dica.

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  8. Olá!

    Apesar de eu ler tranquilamente em português europeu, a premissa não me chamou a atenção. Aliás, os portugueses têm umas palavras bem esquisitas...

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Olá!
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