21/03/2017

[ RESENHA ] O Nome do Vento (Primeiro Dia)

Título:O Nome do Vento (A Crônica do Matador do Rei #1)
Autor: Patrick Rothfuss
Páginas: 656
Editora: Arqueiro
Estrelas: 5/5
 Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso.Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano - os lendários demônios que assassinaram sua família no passado.Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade.Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade - notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame. Nesta provocante narrativa, o leitor é transportado para um mundo fantástico, repleto de mitos e seres fabulosos, heróis e vilões, ladrões e trovadores, amor e ódio, paixão e vingança.


A história começa na Pousada Marco do Percurso onde se via um grupo de cinco homens reunidos no bar, entre eles estava o velho Cob, como era chamado o senhor que contava histórias e distribuía conselhos. Era Noite de Caedes e enquanto homens bebiam e escutavam a história sobre o Grande Taborlin, um jovem hospedeiro que estando atrás da porta, sorria ao ouvir a história familiar. Naquele lugar, seu nome era Kote. De uma aparência incomum, com seus cabelos vermelhos cor de fogo e olhos verdes luminosos e intensos. Fazia um ano que estava na cidade e mesmo sendo muito gentil e hospitaleiro com seus poucos fregueses, ele era um mistério para todos os cidadãos em Nalgures. 


Enquanto o velho Cob contava a história, um homem entra na Pousada, pálido e coberto de sangue segurando uma velha manta como se protegesse algo. Suas roupas possuíam cortes compridos e retos. Seu nome era Carter, uma pessoa comum e conhecida dos homens presentes no local. O sangue não era dele, mas sim de sua égua que havia sido morta por algo a três quilômetros da entrada da cidade. Seus amigos tentam ser solidários enquanto o velho Cob lhe dá broncas sobre o quão perigoso era andar sozinho por àqueles lugares à noite. Até que Carter se irrita e puxa a manta com força revelando o que havia matado sua égua, uma aranha do tamanho de uma roda de carroça. Enquanto todos se espantavam com a aranha, Kote apenas franzia o cenho.

Distraído, Kote começa a falar consigo mesmo, ele sabia o que era, mas não podia revelar sua sabedoria para que ninguém desconfiasse e ficasse fazendo perguntas sobre seu passado. Mas estava tão intrigado com o ocorrido que acaba falando que o monstro se chamava Scrael. Todos o olham desconfiados, mas por sorte, ele rapidamente desmente dizendo ter sido apenas uma história que ouviu de um mercador.

Todos pareciam temer a coisa, mas Kote se aproximava com tamanha curiosidade. Não possuía olhos, nem boca, mas suas pernas pareciam lâminas afiadas. Ao examiná-la, forçando o seu peso sobre elas, ele percebe que suas pernas eram duras feito pedras. Não havia sangue, nem órgãos, todo cinza por dentro. Os homens reunidos desconfiavam ser um demônio, porém, assim como a maioria da população de cidades pequenas achavam que eles existiam apenas nas histórias, só havia um jeito de descobrir, com ferro ou fogo.

No começo, ao colocar uma gusa de ferro na lateral da criatura, nada ocorre deixando os homens, menos Kote, aliviados. Até que um cheiro adocicado, depois de putrefação e queimado, enche o ambiente dando um fim ao mistério e deixando os presentes assustados, menos Kote, é claro! Horas depois, ao entrar em seu quarto, Kote houve passos no corredor e Bast entra, um rapaz que além de ser o único amigo de Kote, também era seu aprendiz e o único que conhecia os segredos do seu mestre. Kote não estava com disposição para dar aulas naquela noite por causa do que aconteceu com Carter. Bast fica preocupado com o que os homens fariam com o Scrael, mas Kote lhe assegura que tomou todas as providências para que o demônio não retornasse sem deixar suspeitas. As pessoas não estavam preparadas para criaturas como aquelas.

Depois que Bast vai embora, Kote fica sozinho contemplando o seu quarto até que seus olhos encontram algo que ele queria muito evitar, seu baú. Que mesmo sendo de um valor inestimável, despertava-lhe um vazio e uma dor, trazendo fortes lembranças que ele tentava evitar. O passado lhe atormentava e para fugir de tudo, ele precisou se instalar em um lugar novo longe de tudo que conhecia e se tornar alguém bem diferente de quem era antes.  Mas mesmo com a mudança, o passado não deixava de lhe trazer dor. Contudo, havia algo mais preocupante. Kvothe está tão coberto pela farsa de ser um simples hospedeiro, que pode está começando a perder sua verdadeira identidade e a cada dia que passa, ele está mais abatido, tanto que está começando a perder até mesmo o brilho dos seus olhos verdes e a chama de seus cabelos ruivos.

"A raiva é capaz de nos manter aquecidos durante a noite, e o orgulho ferido pode instigar um homem a fazer coisas maravilhosas."

Após ouvir o desaparecimento de algumas ovelhas e que depois de alguns dias, elas foram encontradas rasgadas e praticamente esfrangalhadas. Kote percebe que havia sido os Scraels e decide caçá-los. Fazendo uma fogueira em uma velha casa abandonada na floresta perto da estrada, ele já estava queimando um Scrael dentro de um caldeirão à espera de mais, até que é surpreendido por um homem que estava caminhando pela estrada à procura de abrigo e comida. Com uma espada em sua mão, Kote conta o motivo de estar na floresta, o homem a principio não acredita que exista demônios, até que surgem cinco scraels e ele é obrigado a lutar para sobreviver. Contudo, antes que Kote chegasse para ajudá-lo, o homem bate com a cabeça na árvore e desmaia.

Depois de matar e enterrar os scraels sozinhos, Kote leva o homem desmaiado em seus ombros para a Pousada, para limpar e suturar seus ferimentos. O homem se chamava Devan Loches, mas todos o chamavam de o Cronista. Pois ele vivia em busca de grandes histórias e as desmascarava. E ao ouvir a famosa história de Kvothe, ele ansiava em encontrá-lo e ouvir de sua boca a história verdadeira. 
Mas quem disse que seria fácil? Kote não está disposto a contar a um simples homem, pois o perigo de ser exposto era muito grande. Todos pensavam que ele estava morto, mas depois de ouvir sobre um velho conhecido chamado Skarpi, que havia viajado com o Cronista, Kote decide finalmente contar sua história e permitir que o Cronista a escreva, mas com uma condição. Como todas as boas histórias, é preciso paciência e tempo. Se o Cronista quiser ouvir, terá que ficar três dias na Pousada. 

Mas para a sua surpresa, ele não iria se arrepender.

No primeiro dia: Kvothe conta sobre sua infância, sua vida com seus pais na trupe chamada Edena Ruh, como conheceu Abenthy, seu amigo e primeiro professor que lhe ensinou tudo sobre sua profissão de arcano, sobre química, como fazer simpatias, mas havia algo que Kvothe ansiava em aprender, mas que Ben não podia lhe ensinar. O nome do vento. Kvothe também conta sobre a trágica história de quando ele viu pela primeira vez o grupo chamado o Chandriano. Seres misteriosos e que assassinaram seus pais e a trupe inteira, deixando-o órfão com apenas 12 anos.

Sua vida nas ruas frias de Tarbean, um lugar onde ele teve que aprender sozinho muitas coisas para sobreviver. Sobre suas confusões e divertidas aventuras na Universidade, onde ele ganha novos amigos e inimigos, na procura entre os milhares de livros do Arquivo tudo sobre o Chandriano, para obter sua vingança. Também irá se aventurar em Imre onde ele voltará a cantar e encantar a todos com sua incrível voz e o som mágico do seu alaúde. Onde ele conhece seu primeiro amor. E por último, mas não menos importante, aprenderá a falar o nome do vento.    

 " Meus maiores sucessos vieram de decisões que tomei quando parei de pensar e simplesmente fiz o que me parecia certo. Mesmo que não haja uma boa explicação para o que fiz. (...) Mesmo que tenha havido ótimas razões para eu não fazer o que fiz." 

Mesmo o livro contendo muitas páginas, a história de Kvothe é uma trilogia. Pois, como o personagem mesmo diz, é preciso contá-la em três partes. Patrick Rothfuss conseguiu criar um personagem inteligente, criativo, heroico, divertido, gentil, poderoso e fascinante. Ufa! Depois que o leitor o conhece, não tem como não amá-lo. Porém, algo terrível aconteceu para tê-lo tornado fechado e amargurado. Para que ele fugisse de tudo que conhecia e amava. 

Depois que conclui a leitura, fiquei com vontade de contar para todos que eu conhecia. A escrita é maravilhosa e envolvente, as páginas são amarelas e a capa combina totalmente com a história. Além de conter um lindo mapa criado pelo autor para deixar o leitor mais pertinho dos lugares onde a história acontece, e logo nas primeiras páginas o personagem nos ensina a pronunciar o seu nome. Estou apaixonada pelo Kvothe, espero saber pronunciar certo haha. Não vejo a hora de ler a continuação dessa história que me conquistou logo nas primeiras páginas, vale a pena conferir!  

10 comentários:

  1. Olá,

    Eu conheço a trilogia por alto e fico feliz em saber mais sobre ela aqui no Coleções Literárias. Infelizmente esse tipo de história não me agrada, eu fico muito confuso e acabo não fazendo uma leitura prazerosa e para não ficar de ressaca literária ou sair falando que o livro é ruim por causa das minhas preferências eu evito fazer a leitura, mas as vezes é bom sair da zona de conforto e acho que é nesse momento que devo fazer a leitura do primeiro livro da trilogia, pois já faço a leitura sabendo das possibilidades. Amei a resenha e vou indicar para meus amigos que gostam! ♥

    → desencaixados.com

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  2. Olá
    Eu já conhecia essa trilogia e não é de hoje kkjk. Tenho muita curiosidade de começar a leitura, mas tenho muito medo pelo o tamanho que são seus livros e eu tenho meio o que uma fobia com livros assim. Eu sei que é um medo bobo, mas sempre evito livros com mais de 500 páginas. Sou muito fã do gênero e espero que esse meu medo por calhamaço seja esquecido kjk. Espero que você continue com a série. Até mais ver
    Bjs

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  3. Eu tenho esse livro na estante, mas ainda não li.
    A critica sempre muito positiva sobre a trama e o fato do autor estar enrolando com a sequência é algo que me freia a ler tbm. Detesto quando começo a ler uma historia incrível, que eu adoro e as sequências não saem logo e às vezes algumas ficam sem final - nossa... é de sangrar o coração. Fico feliz que tenha curtido tanto a leitura, só confirmou que estou no caminho certo ao ansiar tanto a leitura desse livro e do outro.

    Raíssa Nantes

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  4. Olá Jennifer,

    Eu sou louca para conhecer essa história e eis que sua resenha me convenceu totalmente. Adorei toda a premissa e essa fantasia que permeia a obra.

    Abraços!

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  5. Não conhecia esta trilogia. Os livros seguintes já foram lançados? No momento, estou com outra série de fantasia pendente. Guardarei a dica para o futuro! Abraços!

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  6. Oi lindona,

    Comecei a ler o primeiro, mas como ando sem tempo para ler livros com grande volumes de páginas acabei deixando de lado...isso há quase 1 ano e meio atrás e como precisei de grana por esses dias, vendi meus dois filhotes e fiquei bem triste, porém estão nas mãos de quem vai ler e não enrolar como eu.

    É só me formar que comprarei novamente os livros e lerei e sem dúvida vou me apaixonar ainda mais.

    Beijocas!

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  7. Esse é o tipo de leitura ao qual eu costumo amar. Tem tudo que uma boa obra precisa. Eu não conhecia a obra, confesso, mas pela forma com que você se empenhou a essa resenha, impossível não ter vontade de ler. Já anotei o nome e assim que ler, venho dizer o que achei!

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  8. Oiii Taty, tudo bem?
    Eu sou louca para ler esse livro que você nem imagina, ontem mesmo um colega meu disse que é maravilhoso e que me recomenda, o que me assusta é a quantidade de páginas, mas quero ler.
    Beijinhos

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  9. Olá,
    Que resenha hein!!!
    Sou apaixonada por livros do gênero, mas ainda não tive a oportunidade de ler a trilogia.
    A premissa é bem interessante e cheia de ação, fiquei até sem fôlego aqui com tantas coisas acontecendo e pelo que pude notar na sua resenha, realmente o autor criou um personagem bem inteligente e fascinante. Adorei saber suas impressões e só me animaram para fazer a leitura.

    LEITURA DESCONTROLADA

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  10. Olá! Eu tenho essa trilogia, só falta criar coragem pra ler todo esse calhamaço rs, tipo os livros do Martin, adorei sua resenha e sei que em breve vou me aventurar por essa história fascinante.

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Olá!
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