15/07/2016

[ RESENHA ] Cheio de Graça

Título: Cheio de Graça – Uma Biografia de José Henriques Maia

Autora: Clara Arreguy
Editora: Outubro Edições
Páginas: 119
Estrelas: 4/5
Livro: Cedido pela autora


O que fazer para contar a história de um homem como Seu Maia? Tecer loas, enaltecer o caráter, exemplificar a honradez? Ou, numa atitude muito dele, não levá-lo tão a sério e partir pros fatos engraçados que lhe enfeitam uma vida de luta, superação e conquistas? Partir do bom humor, sua marca registrada, para chegar ao que dava sustentação a essa superfície leve, parece um bom começo. Afinal, a leveza também foi uma das características que mais contribuíram para fazer dele o homem popular que foi.



Olá, caros leitores!

Este é um daqueles livros sobre o qual venho escrever com um sorriso no rosto. É o segundo livro que leio da Clara e, como já esperava, a autora não me decepcionou. A diferença entre esse e o outro livro que li dela, Tempo Seco, é que este é uma biografia enquanto o outro era ficção. Sempre gostei muito de ler biografias, por isso ter a oportunidade de conhecer a história de um homem como José Henriques Maia foi uma ótima experiência.

José Henriques Maia, mais conhecido como Seu Maia, foi o pai da autora. Como qualquer filha que conhece bem o próprio pai, Clara foi capaz de perceber o tipo de enredo que seria melhor para definir a vida dele e teve a sensibilidade de construir este livro de maneira bem diferente das biografias tradicionais. Nele não são relatados todos os fatos da vida de Seu Maia, mas aqueles mais marcantes, divertidos e engraçados que ele vivenciou com os amigos e a família.


Ao longo do livro, somos apresentados ao garoto que nasceu pobre e trabalhava desde cedo em um bazar para ajudar os pais. Apesar das dificuldades, Maia nunca foi de reclamar da vida e, ao longo dela, sempre fez uso do bom humor para lidar com os problemas em qualquer situação, fosse com os pais, amigos, vizinhos, namoradas, esposa, filhos ou netos.

“Uma vez, o América contratou um jogador chamado Civorlei. Pra quê? Papai passava o dia inteiro cantando:- Civorlei, Civorlei teu coração... Civorlaste, Civorlaste o meu também!!!”


Por ser a história de uma vida inteira, no livro vários lugares e pessoas que fizeram parte da história de Seu Maia foram mencionados e, apesar de entender o quanto isso era necessário para compor a obra, a única coisa que eu não gostei muito foi da forma como esses lugares foram citados. Em certos momentos, confesso que me senti um pouco perdida quanto aos lugares por onde Seu Maia passou, pois foram muitos e, talvez pelo fato de eu nunca ter ouvido falar antes daquelas cidades, me sentia deslocada quando muitas delas eram mencionadas. Porém acredito que uma pessoa que conheça melhor o estado de Minas Gerais não enfrentará este problema na leitura.


Linguagem
O livro é narrado em terceira pessoa, pelo ponto de vista da Clara. Certamente a autora não esteve presente em alguns momentos da vida de Seu Maia, como na infância e adolescência, por exemplo, por isso contou com a ajuda de relatos de amigos, parentes e do próprio Maia quando era vivo para narrar estes períodos. A linguagem da autora é envolvente e transmite uma sensação de proximidade com o leitor, como se estivesse contando a um amigo todas as aventuras vividas por Seu Maia. Em alguns momentos, a narradora é bastante informal e essa linguagem leve faz com que o leitor se sinta à vontade e nem veja as páginas passarem enquanto lê. Também não encontrei nenhum erro na revisão.

“Maia vai ao médico se queixar de uma dorzinha. O doutor pergunta em que circunstâncias o problema se manifesta.- Só quando eu grito ‘Galoooooooooo’.” 

Cronologia
A narrativa segue uma sequência parcialmente cronológica, mas sem se deixar muito presa a isso. O próprio livro não é contado com uma narrativa linear, mas com pequenos trechos que narram determinados acontecimentos. Esses trechos, em geral, são curtos e possuem aproximadamente uma página ou até menos do que isso.

Humor
O humor é o elemento principal do livro, o que justifica bastante o título da obra. Seu Maia era um brincalhão, sempre com uma resposta bem-humorada para qualquer situação. Em muitos momentos tive crises de riso em público enquanto lia. Fiquei até com vontade de ter conhecido Seu Maia pessoalmente, pois o senso de humor dele me encantou.

“- Pai, o senhor conhece o fulano?- Ah, sim, o avô dele era minha tia...” 

Poesia
Seu Maia passou grande parte da sua vida trabalhando como funcionário de um banco, mas isso não foi impedimento para que também se dedicasse à poesia. No livro encontramos alguns dos poemas escritos por ele, tanto por meio da narração de Clara, quanto por fotos das folhas originais onde os poemas foram escritos. Os temas dos poemas eram diversos: amor, política, família ou, como não poderia faltar, apenas alguns versos bem-humorados.


Estética
O livro é muito bonito por dentro. As folhas são feitas de um tipo de papel meio brilhante, parecido com o papel usado em revistas, porém mais grosso. As letras estão com uma fonte de tamanho ótimo e com um espaçamento que permite uma leitura confortável. Além disso, o livro traz muitas fotos em preto e branco, tanto de momentos que marcaram a vida de Seu Maia, quanto de textos escritos por ele.


Se você quer conhecer a vida de uma pessoa realmente adorável, indico que conheça a história de Seu Maia. Até a próxima! :D 

Um comentário:

  1. Obrigada, Jéssica, pela linda resenha. Um beijão pra você!

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