Hoje vou lhes contar a história
de um rapaz que conheci, na realidade, essa história não é somente do rapaz,
mas também de uma moça. A história é minha eu a escrevi, mas quem viveu foram
eles.
Todos os dias ele ficava no
balcão de sua loja olhando-a passar, com olhos curiosos observava cada detalhe,
seus longos cabelos pretos, amarrados num rabo de cavalo frouxo no alto da cabeça,
seus olhos escuros, sua pele bronzeada. Eram detalhes simples, mas que chamavam
atenção, ela só usava calça jeans e all-stars preto, tamanha era sua
simplicidade que chegava a ser chamativa. E ele não conseguia parar de
observa-la.
Todos os dias de manha, quando
ela passava cabisbaixa e com os olhos serenos, como se observa-se o nada, ele a
observava. E ficava a se perguntar:
“Porque é tão simples e ainda
assim me agrada? Porque vive cabisbaixa quando possui um rosto tão bonito? Algo
me intriga, queria apenas perguntar por que não mostra um sorriso”.
Certo dia, o rapaz cansado de
tanta curiosidade decidiu dar apenas algumas palavras a moça, queria saber o
motivo da cabeça baixa e os olhos vazios, mesmo sem saber o que falar decidiu
que falaria a primeira coisa que lhe viesse a mente quando a visse. Então
quando ela dobrou a esquina, da mesma forma de sempre, com a cabeça baixa e os
olhos vazios, ele saiu da loja, caminhou rapidamente em sua direção, parou bem a
sua frente, quase assustando-a (ela só não se assustou pois estava acostumada a
não se importar com nada), e disse:
- Você já se olhou no espelho?-
assustou-se com as palavras que escaparam - desculpe. Não quis ser rude. Mas
porque você nunca ergue a cabeça?
- Não sei. Não foi rude. Tudo
bem. - seus olhos continuaram sem brilhar, mas sua cabeça começou a pensar
naquelas perguntas.
Depois disso ele voltou para a
loja e ela seguiu com seu caminho. E no dia seguinte, quando voltaram a se ver
quem se impressionou a ser questionado foi ele.
A moça caminhou até a loja, dessa
vez de cabeça erguida, com brilho nos olhos, batom vermelho e cabelos soltos ao
vento.
- Nossa você está apaixonada? - o
moço perguntou para a moça, curioso para saber os motivos da transformação.
- Sim claro que estou. - ela
disse sorridente.
- Que paixão rápida e capaz de
tamanha transformação foi essa? Acho que preciso de uma.
- Ah, essa é a melhor paixão de
todas. Ontem olhei no fundo dos meus olhos através do espelho, sorri e descobri
que me amo. Estou apaixonada pela melhor pessoa do mundo que posso amar.
- Quem? - perguntou ainda
desatento, tentando entender bem a onde ela queria chegar.
- Eu. Sim, eu sou a melhor pessoa
por quem posso me apaixonar. Agora se me permite, preciso te fazer uma
pergunta.
- Claro faça. Depois do que te
falei ontem, pode perguntar qualquer coisa.
- Por que você não sai de trás
desse balcão e começa a viver sua própria vida? - seus olhos eram curiosos, ela
o olhava no fundo dos olhos esperando por uma resposta.
- Acho que para começar a minha vida,
eu estava esperando por alguém que valesse a pena viver.
- E onde você vai encontrar essa
pessoa?
- Acabei de te encontrar!