24/04/2017

[ RESENHA ] Os 13 Porquês

Título: Os 13 Porquês
Autor: Jay Asher
Páginas: 256
Editora: Ática
Estrelas: 4/5

Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker, uma colega de classe e antiga paquera, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.



O bullying não é uma brincadeira de criança, não é um fato passageiro, ele afeta as pessoas e as marcam para sempre. Em “Os 13 Porquês” de Jay Asher esse ato abusivo e violento é colocado em perspectiva e as repercussões podem ser avassaladoras para vítima e é justamente o resultado mais drástico e traumático que Hannah enfrentará.

Hannah Baker era uma garota comum, divertida e bem humorada, com uma vertente poética forte dentro de si, só que o ensino médio se revelará mais intenso do que esperado e ela cairá em um túnel sem volta, optando por tirar a própria vida.

Antes de se matar ela grava 7 fitas, com 13 motivos ou melhor com o nome de 13 pessoas que a motivaram a tomar essa triste decisão. Depois de sua morte uma caixa de fitas será deixada na porta da casa de Clay Jensen, ele será a voz mais constante da história juntamente com a Hannah.


Clay era uma das poucas pessoas que gostava de Hannah de verdade, mas apesar desse sentimento que nutria não foi capaz de se mexer, de ajuda-la ou ser diferente o suficiente para enfrentar os julgamentos sociais. E a realidade é: todos que receberam as fitas, estão nas gravações e, portanto, tem culpa no cartório pelo suicídio dela. Essa informação irá deixar Clay desesperado porque ele tem medo de qual seria a razão para estar ali nos áudios, afinal na concepção dele tudo o que fez até então foi tentar mostrar que gostava dela, falhando miseravelmente em todas as tentativas.

A cada lado da fita vamos descobrindo como atitudes consideras pequenas para alguns podem causar repercussões absurdas para outros e desencadear um fim das interações sociais. Hannah tentou de diversas maneiras fazer amizades, logo no começo ela terá amigos: Jessica e Alex, os três se completavam e tinham reuniões semanais no Monet´s (um café da cidade e ponto de encontro deles), só que com o tempo Alex encontrou um novo grupo de amigos e Jessica também, nessa somatória de novidades não havia espaço para Hannah e ela foi excluída. Depois disso ela tentará uma série de aproximações com outras pessoas da escola, como a Courtney, essa garota que era popular e exalava simpatia também fará da vida de Hannah um inferno.

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E de degrau em degrau é construída a destruição psicológica de Hannah, com vários agentes atuantes que a cercam todos os dias. Os ataques que a ferem envolvem listas com conotações sexuais, amigos que não são tão amigos assim e que na primeira oportunidade enfiam a faca nas suas costas, garotos machistas que se sentem no direito de abusar de garotas, fotos em momentos inapropriados jogadas nas redes sociais, a falta de estrutura familiar, o silêncio e ausência de pessoas que ela tinha grande apreço, enfim, a solidão completa e constante.

Ela sentiu que não tinha motivo para estar no mundo, afinal nada trazia alegria a ela. É interessante observar a reação das pessoas diante das fitas, o quanto do caráter delas é revelado ali e como o assombro toma o rosto de todos que escutam os áudios.

No começo a gente tem a sensação que ela tomou essa decisão por motivos bobos, tão pequenos, tão resolutivos, mas ao longo da leitura e da descrição de cada situação que ela foi submetida vamos percebendo que foi uma somatória de fatores que desencadeou essa escolha, não foi um motivo, foram tantos motivos que ela não conseguiu ver saída. E ao final entendemos o quanto ela tinha razão para sofrer dessa maneira, o quanto a vida dela foi triste e como ninguém esteve ali para estender a mão.

O autor escreve de uma maneira que gera um suspense, que leva nós leitores a acreditarmos que existe a possibilidade de Hannah ainda estar viva e estar pregando uma peça nas pessoas. Mas ao mesmo tempo que ele faz isso consegue trazer todo o tom perigoso que o bullying desencadeia na vida da pessoa. O quanto situações ruins atraem mais coisas ruins. O quanto o silêncio é tão ruim quanto o falatório.

Alguns dizem que “Os 13 Porquês” é uma apologia ao suicídio, fato esse que discordo completamente. Ao meu ver o autor deixa bem claro quais as consequências desse ato, como é difícil a recuperação, como devemos refletir sobre nossas atitudes e aprender a observar com olhos mais compreensivos a mudança de pessoas ao nosso redor. Ele deixa bem claro os sinais que as pessoas dão quando estão passando por essa exclusão, com pensamentos suicidas e devemos enxergar esses comportamentos, nossa atitude positiva pode sim salvar uma vida, uma simples palavra amiga pode ser a chave para evitar que situações tão tristes como essa aconteçam. Se algum dos colegas de escola de Hannah tivesse mudado o comportamento ela poderia ter permanecido viva, mas não...

Não é um livro fácil de ler por se tratar de um tema tão pesado, quem viveu com alguém durante anos e perdeu essa pessoa para o suicídio pode afirmar o quanto o autor captou a essência necessária e deixou o alerta fundamental. Apesar disso, a maneira que Jay Asher narra toda a história cria uma cadeia de informações viciante que prende o leitor e ficamos cativos da história até o desfecho.

No geral a escrita em itálico é quando a Hannah está falando através das fitas e as demais palavras em formatação normal são os outros protagonistas, principalmente Clay. Gostei muito dessa diagramação, do mapa e toda a edição da obra. É bem jovem e muito importante por se tratar do bullying repercutindo da pior forma possível.

Recomendo essa obra para todos que querem entender mais sobre o bullying e suicídio, mas esteja preparado porque vai mexer demais com a sua cabeça. Lembrando que a série foi lançada dia 31 de março de 2017 pela Netflix e todo mundo está falando super bem, em breve vocês terão mais detalhes sobre o assunto aqui no blog. Mas já adianto que a minha primeira impressão, com até o quinto capítulo assistido é: a série parece que conseguiu trazer à tona bem melhor o que Hannah sofreu, traz uma intensidade maior. Sugiro que leiam a obra primeiro para depois assistir ao seriado e assim usufruir melhor dos detalhes. ^^

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É isso! Espero que tenham gostado. Esse livro já é bem velhinho, massss como está todo mundo falando dele no momento acho que valia a pena trazer a resenha da obra por aqui.

Comentem o que acharam e vamos conversar sobre o assunto!

Você não está só, okay? ^^


Beijinhos.

Att,
Paty Argachof.

17 comentários:

  1. Olá, tudo bem?
    Eu tentei ler esse livro antes de assistir à série "13RW" da Netflix... Não consegui continuar a leitura, acabei abandonando. Não tenho esse hábito, mas realmente não fluiu a leitura comigo e, como anteriormente eu já tinha ficado agarrada com um outro livro, não quis ficar com mais um.
    No entanto, assim que a série saiu, assisti toda rapidamente. Assim como você não viu no livro, também não vi na série apologia ao suicídio, embora entenda o porquê de isso poder vir acontecer. De toda forma, é um livro e uma série necessária. São assuntos que precisamos conversar. Precisamos falar!
    Se alguém têm insegurança em lê-lo, ou ver a série, mas tem curiosidade, ou até mesmo necessidade, faça-a acompanhada de textos de apoio, ou até mesmo da companhia real de alguém. Isso pode ajudar muito!
    Mas espero que não silenciem um assunto tão importante, por medo de não encontrarem o equilíbrio de como tratá-lo! Sendo que há tantas formas, não é mesmo?
    Adorei sua resenha, me deu até vontade de tentar ler o livro novamente!
    Beijooos
    http://www.aquelaepifania.com.br/

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  2. Oiii PATY, TUDO BEM?
    Estou bastante interessada em realizar a leitura desse livro que você nem imagina, fico feliz que tenha trazido a resenha para nós, até que porque está sendo bem falado né, dica anotada flor.
    Abraços

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  3. Oi Pati, tudo bem?
    Eu assisti a série, mas ainda não tive oportunidade de ler o livro, sem dúvidas é algo que quero, pois gostei muito da experiência e gostei muito da forma que a temática da obra foi abordada, pois esse é sem sombra de dúvidas um tema que merece muita atenção.

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  4. Olá
    Eu li o livro é achei muito fraco, ele não ajuda em nada. O namorado babaca e estúpido de uma patente se sucidou depois que ela resolveu não dar a enésima vez com ele, pela lógica torta que o livro passa ela é a culpada.
    Não suporto esse livro, desculpa U.U

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  5. Oi! Confesso que li tanto sobre o livro e o seriado que estou abrindo mão de ler o livro ao menos no futuro próximo. Ainda não consegui estabelecer um parâmetro, porque considero que as críticas feitas à forma como o seriado tratou tema e escancarou algumas cenas pode causar um impacto ruim em pessoas fragilizadas. No entanto, é necessário reconhecer que tem o mérito de colocar temas importantes em pauta. Espero que a discussão seja produtiva. Obrigada por compartilhar a sua experiência com este livro. Abraços!

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  6. Olá Paty, tudo bem?

    Eu não cheguei a ler o livro, mas a série, para mim, foi bem impactante. Espero ter a oportunidade de lê-lo em breve, mas não sei se vou conseguir encará-lo com facilidade.

    Beijos

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  7. Acredito que esse livro deveria se tornar obrigatório para professores, alunos e pais ao final do ensino fundamental. O alerta que ele faz e a discussão que proporciona, não só a questão do suícidio, mas da depressão, do bullyng, acesso a armas, drogas, bebidas... Realmente é um livro necessário!

    Bjos

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  8. Oi Paty!
    Também não consigo entender como algumas pessoas dizem que o livro é uma apologia ao suicídio. Acho que ele serve para abrir os olhos de bullies, amigos e pais porque o suicídio acontece e continuará acontecendo enquanto todos tratarem como tabu e fingirem que não existe.
    Amei a diagramação do livro! Na primeira vez que li, em 2014, li digital e foi um pouco confuso, mas esse ano reli a versão física e está a coisa mais linda. Maratonei a série no final de semana do lançamento e gostei demais, em especial por ter todos os pontos de vista e consequências nas vidas dos "porquês", sem contar a atuação incrível da Kate Walsh!
    É um livro mais do que necessário.

    Beijos
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  9. Oi, Paty
    Concordo que o livro na verdade é um alerto, algo para as pessoas entendenderem que bullying não é brincadeira. Eu li esse livro faz algum tempo e amo demais! A série também é ótima! Super indico sempre também. Ótima resenha, que bom que também gostou.


    Blog Livros, vamos devorá-los

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  10. Olá,

    Eu li esse livro há uns três anos atrás, confesso que não curti a atitude da protagonista na época, mas depois de ter assistido a série, finalmente me dei conta de que se outra atitude tivesse sido tomada, a história não teria o impacto necessário para abrir nossos olhos sobre o bullying, sobre assédio e estupro. Realmente é complicado ler esse livro, mas acredito que essa temática precisa ser debatida, nos precisamos ser mais compreensíveis com nossos próximos e até com os desconhecidos também.

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  11. Heiii, tudo bem?
    Ainda quero mto ler o livro Os 13 Porquês e tb acho que nao é apologia ao suicídio.
    A historia é intensa e quero ainda ler, apesar que eu acho que vou ficar um pouco abalada pelo enredo ser bem forte.
    Adorei a resenha.
    Beijos.

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  12. Olá linda,

    Eu desisti desse livros umas 10 vezes até que me desafiei e li todo.
    Eu achei ele beeeem unilateral na visão e muitos dos motivos de Hannah ficar tão perturbada foram razões bem fúteis que poderiam ter sido resolvidas se ela tivesse compartilhado com os pais ou até mesmo com pessoas que ela escolhesse com mais sabedoria e cautela.
    O que o autor faz é jogar de forma irresponsável as razões da atitude de Hannah nas costas dos colegas de escola...os jovens ali são tão alienados quanto a Hannah e agem mais para agradar aos outros do que a si mesmo e muitos outros "porquês" poderiam ter se matado, porque sofriam em demasia há mais tempo que a própria personagem.

    Ela é o reflexo de uma pessoa sensível e que se isola quando tem conflitos de personalidade e aceitação e isso demanda divisão de conceitos e áreas que abrangem o mesmo...é um problema de todos.

    Beijos!

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  13. Oi, Paty!
    Eu tenho muita vontade de ler esse livro, antes mesmo de ter a série - que eu também não assisti -, fiquei tentada a ter ele na minha estante. Pela forma que você falou, a obra possui um clima tenso e não é para menos. Aliás, acho que essa é uma boa história para ser trabalhada em escolas onde o índice de bullying é gigantesco. Pode ajudar algumas pessoas e abrir os olhos de outra.
    Enfim, pretendo conhecer esse livro em breve.

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  14. Oiii!

    Eu li esse livro e gostei! Fiquei feliz pois a mensagem que eu consegui captar foi da importancia que nós temos na vida de uma pessoa. Acho que esse tema deveria sim ser debatido, mas acho que a série foi um pouco equivocada.
    A escrita do autor é ótima, conseguiu me envolver e desenvolver empatia pela personagem.
    Sua resenha está bem escrita e pensamos bem parecidos!

    Beijinhos

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  15. Oi Paty,
    Tenho vontade de ler esse livro há anos, mas ainda não o separei para tal. Tem muitos comentários a respeito dele agora, muito por causa da série. Já ouvi opiniões diversas a respeito do título, espero compreender a história da forma correta quando for fazer essa leitura. Sua resenha está ótima e gostei muito dos pontos que você levantou.
    Bjim!
    Tammy

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  16. Oi, Paty,
    Adorei ler suas impressões sobre essa obra que tem gera um "booom" na blogosfera, entre psicólogos e psiquiatras. Não acho o livro uma apologia ao suicídio, mas também não acho que ajuda muito a prevenir, sabe? Entretanto, é um livro que recomendo para as pessoas perceberem como é ver o outro lado.
    Beijos

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  17. Olá!

    Eu li e não achei tudo isso. A premissa é muito boa e a ideia das fitas é original, mas a Hannah não me convenceu não, algumas de suas atitudes são imperdoáveis. De todos modos, como não curti tanto a leitura, dificilmente verei a série.

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