06/03/2017

[ RESENHA ] O Amor nos Tempos do Ouro

Título: O Amor nos Tempos do Ouro
Autora: Marina Carvalho
Páginas: 336
Editora: Globo Alt
Estrelas: 5/5 ♥
Cécile Lavigne perdeu todos os que amava e agora está sozinha no mundo. Ela, uma franco-portuguesa que ainda não completou vinte anos, está sendo trazida ao Brasil pelo único parente que lhe restou, o ambicioso tio Euzébio, para casar-se com o mais poderoso dono de terras de Minas Gerais, homem por quem Cécile sente profundo desprezo. Após desembarcar no Rio de Janeiro, Cécile ainda precisará fazer mais uma difícil viagem. O trajeto até Minas Gerais lhe reserva provações e surpresas que ela jamais imaginaria. O explorador Fernão, contratado por seu futuro marido para guiá-la na jornada, despertará nela sentimentos contraditórios de repulsa e de desejo. Antes de enfim consolidar o temido casamento, Cécile descobrirá todos os encantos e perigos que existem nessa nova terra, assim como os que habitam o coração de todos nós. Com o passar dos dias, crescerá dentro dela a coragem para confrontar todas as imposições da sociedade e também o seu próprio destino.

É possível que esta resenha contenha fortes indícios da minha empolgação e do meu amor por essa obra, mas eu vou tentar me conter.
Nem preciso dizer que 2016 foi o ano dos nacionais para mim, de acordo com as últimas resenhas, isso ficou evidente. E foi um ano maravilhoso porque eu redescobri a literatura nacional, que é vasta e ótima! Enfim, durante essa experiência, eu pude entrar em contato as obras da Marina Carvalho, que virou meu amorzinho na literatura brasileira.


“Sabes que nunca me apaixonei, maman, mas se porventura o tivesse feito, seria por alguém como ele?

Há meses eu estava namorando a capa de O Amor nos Tempos do Ouro e ansiosíssima para conhecer a escrita da autora, mas só há poucos dias eu puder ler esse livro completamente encantador.
Após ter a estabilidade familiar destruída por um acidente que acabou vitimando seus pais e seus dois únicos irmãos, Cécile, uma franco-portuguesa, agora, só pode contar com o tio, que mora no Brasil e é a personificação da ambição. O homem não pensa em mais nada senão em lucrar com a tragédia que aconteceu com a sua sobrinha.

Cécile, apesar de ser herdeira de uma grande fortuna, é mulher e todos nós sabemos que naquela época, século XVIII, as mulheres não tinham voz, portanto, a nossa mocinha não tem outra alternativa a não ser acatar às ordens do tio e desembarcar no Brasil Colônia, com o objetivo de se casar com um influente fazendeiro de Minas Gerais.


O destaque da obra, sem sombra de dúvida, é a construção de tudo. Desde as personagens, passando pelo ambiente e chegando aos diálogos. Tudo acontece de uma forma tão verdadeira e espontânea que a gente é transportado ao século XVIII e, infelizmente, nós temos uma pequena noção do que foi aquele período para os negros, para os índios e para o branco, que ainda tinha muitas terras para desvendar. Ao longo de tudo isso, é interessante notar pequenas misturas de culturas em detalhes da obra.

Enfim, ao chegar no Rio de Janeiro e perceber que perdeu totalmente o controle da sua vida, o cotidiano de Cécile cai em ruínas. Afinal, ela estava caminhando para um casamento arranjado quando tudo o que ela mais desejou na vida foi casar por amor; estava num país totalmente diferente do seu, onde ela não podia contar com ninguém; e, para finalizar, teria que enfrentar uma longa viagem para Minas Gerais com um homem totalmente fora de cogitação: Fernão.
Digamos que o sujeito citado anteriormente nunca foi conhecido por ter uma boa conduta. Na verdade, Fernão sempre é avaliado por realizar trabalhos sujos para o futuro marido de Cécile… Saber disso não agrada a mocinha nem um pouco.

O verdadeiro enrolar do enredo acontece durante o tempo de transição da protagonista neste viagem do Rio de Janeiro para Minas Gerais, que é completamente intensa nos quesitos: aventura, início de um romance, descobertas e despedidas.
A personalidade de Cécile é um dos pontos mais fortes da obra, pois provoca na história uma verdadeira complicação, afinal, ela é bondosa demais numa sociedade em que há muita exploração e escravidão. Isso acaba cativando outros personagens secundários que ganham uma importância tremenda durante o enredo. Além disso, suas peculiaridades acabam por encantar um coração visivelmente de gelo (mas que na verdade é bem morno) e desenvolver um romance proibido de tirar o fôlego.


Não posso deixar de falar de Fernão, o rapaz que abalou todas as minhas estruturas. É evidente que ele possui um pouco da fórmula da maioria dos mocinhos de época, digo: aparentemente bruto e sem coração, mas que na verdade é fiel e nobre, (ah, eu sou encantada por essa fórmula) mas ele é dono de uma singularidade que é impossível descrever. Ele demonstra tudo com ações e isso é lindo.

A narrativa da Marina é muito fluída e a descrição de cada lugar é ótima. Fica claro para gente o quanto ela pesquisou para criar o livro. Os diálogos estão na medida certa, se é que isso é possível, e são peças chaves na obra, nada é supérfluo ou sem motivo.
O Amor Nos Tempos do Ouro se tornou meu queridinho e estou louca para o segundo volume.

2 comentários:

  1. Olá Mari!
    Achei a capa desse livro muito bonita e me chamou muita atenção.
    Gostei de saber mais da história, e é ótimo temos mais oportunidade de ler livros nacionais com muita qualidade.
    Parabéns pela resenha!
    Beijos!

    Books & Impressions

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  2. Oi!! A tua resenha retrata bem o quanto tu gostou da obra e o potencial da história. Adoro livros com descrições de lugares e ambientes do passado. Deu vontade de ler!!
    Bjs

    Sabe o que é?

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