02/03/2017

[ RESENHA ] A Menina Que Tinha Dons

Título: A Menina Que Tinha Dons
Autor: M. R.Carey
Páginas: 384
Editora: Rocco Fábrica 231
Estrelas: 5/5
Livro: Cortesia da Rocco

Cultuado autor de quadrinhos e roteiros da Marvel e da DC Comics, entre eles algumas das mais elogiadas histórias de X-Men e O Quarteto Fantástico, o britânico M. R. Carey apresenta uma trama original e emocionante em sua estreia como romancista com A menina que tinha dons, lançamento do selo Fábrica231. Aclamado pela crítica, o livro se tornou um bestseller imediato na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos ao contar a história de Melanie, uma menina superdotada que faz parte de um grupo de crianças portadoras de um vírus que se espalhou pela Terra e que são a única esperança de reverter os efeitos dessa terrível praga sobre a humanidade. Uma comovente história sobre amor, perda e companheirismo encenada num futuro distópico.
     

Num mundo onde um vírus foi desenvolvido através de um fungo chamado Ophiocordyceps, que não apenas tomou conta da maioria da população como também deu origem a uma infecção que faz com que os seres humanos tenham fome por carne humana.  Porém, os famintos, como são chamados, não são a única ameaça. Também existem os lixeiros, humanos que após o Colapso, como é chamado o dia em que o mundo mudou tragicamente, se tornaram lunáticos assassinos que matam sem piedade famintos e humanos, além de destruírem e roubarem tudo que vêem pela frente.


 A única esperança para uma possível cura seria um Projeto de Pesquisa organizado pela Dra. Caroline Caldwel numa Base Militar protegida por soldados altamente treinados e afastada de Beacon, um refúgio para as pessoas que não haviam sido afetadas pela infecção. Na base, são feito experimentos com crianças que não apenas possuem o vírus como também, diferente dos adultos infectados, possuem um alto nível funcional e para testar seus cérebros, foram contratados profissionais que ensinassem as crianças a desenvolvê-los.

Melanie é uma menina loira, de olhos azuis e que possui uma pele muito branca, que segundo ela, é como a das princesas de contos de fadas.  Ela aparenta ter uns 10 anos, mas assim como as outras crianças, também possuía o vírus. Seus dias são divididos em quatro partes, a cela, o corredor, a sala de aula e o chuveiro. Ao acordar, ela deve se preparar para quando o Sargento Parks e seu pessoal chegarem para levá-la para a sala de aula. O Corredor é dividido entre vinte portas vermelhas do lado esquerdo e dezoito do lado direito, porém existe uma porta misteriosa de aço cinza muito grossa que Melanie sempre teve curiosidade de entrar e descobrir o que havia por trás dela.   

Todos os dias, quando o Sargento chegava, Melanie já sabia o que fazer. E quando a palavra “Trânsito” era dita por Parks, ela se vestia com uma blusa e uma calça, completamente brancas, se sentava numa cadeira de rodas perto da sua cama e esperava. Quando ele destrancava a porta e ficava na frente da menina, ele lhe apontava uma arma enquanto dois soldados amarravam seus pulsos, tornozelos e pescoços em tiras muito fortes. E Melanie sempre dizia algo como “Eu não mordo” o que fazia o Sargento ri com deboche, sendo um homem experiente e autoritário, mesmo que a menina aparentasse inocência ele não iria se deixar convencer. 

 Todas as crianças recebiam o mesmo tratamento e continuavam presas durante a aula inteira, um professor era designado para cada dia da semana, menos nos sábados e domingos, onde as crianças passavam o tempo todo trancadas e entediadas por não ter o que fazer e ainda eram obrigadas a ouvir pelos alto falantes músicas num volume tão alto que Melanie não conseguia pensar numa conversa com seus amigos pela linguagem de sinais que ela própria criou através de uma pequena passagem nas portas. As aulas eram a sua parte preferida do dia, principalmente quando era a Srta. Justineau que iria aplicá-las, porque ela não apenas ensinava, mas também lhes contava histórias que deixavam a menina fascinada, ainda mais quando o assunto era mitologia. Melanie era a mais inteligente da turma, era boa nos fatos históricos, datas, tabelas e equações e sempre treinava sua mente não apenas para que não ficasse entediada, mas também para não errar nenhuma pergunta da Srta. Justineau.   

Os domingos eram os dias mais estranhos, pois era o dia do chuveiro. As crianças eram levadas para um lugar escuro como breu onde seus pulsos eram desatados, mas essa não era a parte mais estranha! E sim, quando elas eram servidas de uma tigela contendo um milhão de larvas ainda vivas como sua única refeição durante a semana inteira. Pois segundo a Dra. Selkirk, as larvas são eficientes ao metabolismo por conterem proteínas e as crianças não iriam precisar de mais nada, nem mesmo de água.  E isso manteria os vírus sobre controle. Depois de se alimentarem, um gás químico começa a sair pelos canos e faz com que os olhos das crianças comecem a lacrimejar e arder. É chamado de Bloqueador E, dando uma proteção não apenas as crianças, mas também a todos na Base, para que elas não sintam o cheiro de pele humana e descubram que não são apenas crianças. E essa é a parte interessante, elas não sabem o quê elas realmente são!

Os professores as instruem sobre os famintos, mas não dão muito ênfase no assunto, porém tudo isso muda quando o Sargento, para provar a Srta. Justineau que não se pode “baixar a guarda” com as crianças, cospe em seu próprio braço retirando o bloqueador E, e apontando bem no rosto de uma criança. A mudança é imediata, a fome surge assim como os dentes do menino começam a ranger e a saliva a descer pelo seu queixo. E mesmo estando longe da cadeira do menino, Melanie também sente o cheiro e sua cabeça começa a rodar, uma urgência de fazer algo que ela não compreende começa a crescer dentro dela.

Após esse acontecimento ela fica assustada, se perguntando o que acontecerá com ela quando crescer, se um dia iria sair daquela Base e se iria para Beacon, para junto de outras pessoas e ao fazer essa pergunta a Srta. Justineau, a professora não consegue se controlar, pois mesmo contendo o vírus elas continuam sendo crianças e ela se apegou a elas, principalmente a Melanie e é nessa hora que ela faz algo impulsivo e proibido. Acariciando o cabelo da menina para confortá-la do seu destino cruel e surpreendendo não apenas as crianças como também a Parks que fica furioso ao entrar na sala para levar as crianças. Ele a ameaça por ter quebrado as regras, que talvez perdesse até o emprego ou pior, seria executada.

"Afeto normal. É o que Justineau está sentindo agora, presumivelmente.Parece que ela cavou um poço, bem fundo, acertou as bordas, limpou as mãos. Depois entrou de cabeça nele.Só que foi a cobaia número um, na verdade, que cavou o poço. Melanie. Foi sua atração desesperada, evidente e adoradora que fez Justineau tropeçar, ou pelo menos tirou seu equilíbrio o suficiente para que o tropeço fosse inevitável. Aqueles olhos grandes e crédulos, naquela cara branca feito osso. A morte e a donzela embrulhadas num só pacote.Ela não desligou a compaixão a tempo. Não lembrou a si mesma, como faz no início de cada dia, que quando o programa se encerrar, Beacon a tirará daqui por ar, como a trouxe por ar. Rápido e fácil, levando todas as suas coisas, sem deixar pegadas. Isto não é vida. É algo que está se exaurindo em sua própria sub-rotina autocontida. Ela pode sair tão limpa quanto entrou, se não deixar que nada a toque.Esse cavalo, porém, talvez já tenha sido ferrado."

Seu trabalho era observar, medir reações emocionais das crianças a fim de escrever relatórios insípidos para a Dra.Caldwel, Justineau sabia qual seria o futuro delas, e quando chegasse à hora, duas crianças seriam escolhidas no domingo pela Dra para serem levadas ao laboratório e terem seus cérebros dissecados até que ela encontrasse as respostas pela diferença das crianças e um meio para a cura. Mas Justineau não aguenta mais a frieza que vem tratando seus alunos e teme por suas vidas, mas como ela poderá salvá-los do seu destino?

 Depois do ocorrido na sala de aula, e após desrespeitar o Sargento para proteger a Srta. Justineau, Melanie passa o dia todo amarrada a sua cadeira. Mas Justineau surpreendentemente abre a porta da sua cela e a desamarra, porém ela não havia previsto o que aconteceria a seguir. Seu cheiro estava muito forte e a fome se apossa de Melanie rapidamente, fazendo-a não apenas entender o que ela realmente era como também a lutar consigo mesma para que a professora pudesse fugir. 

  Envergonhada pelo que fizera, a professora chora ao ver o sofrimento da aluna e não tem ideia do que fazer para salvá-la. 

"A sensação — a fome torturante e aguda — dura muito tempo. Mas não é tão forte quanto a que Melanie teve quando sentiu o cheiro da própria Srta. J, bem perto dela, sem spray químico nenhum. Ainda é de dar medo — uma rebelião de seu corpo contra a mente, como se ela fosse Pandora querendo abrir a caixa e, sem importar quantas vezes dissessem para não fazer, ela simplesmente foi feita assim e tem de abrir, não pode se conter. Mas finalmente Melanie se acostuma com o cheiro como as crianças no chuveiro dos domingos se acostumam com o cheiro das substâncias químicas. Não passa exatamente, mas não a atormenta da mesma maneira; torna-se de certo modo invisível, só porque não muda. A fome diminui cada vez mais e, quando passa inteiramente, Melanie ainda está ali.O livro também ainda está ali; Melanie lê até o amanhecer e mesmo quando tropeça nas palavras ou tem de adivinhar o que significam, ela está em outro mundo.Ela vai pensar nisso depois — só um dia depois — quando o mundo que ela conhece desaparecer. "

 O que você faria se na sua história, você fosse a Heroína e ao mesmo tempo o Monstro? E qual dos dois iria ganhar nessa briga interna?

Um livro emocionante, envolvente e ao mesmo tempo assustador, escrito em terceira pessoa onde podemos conhecer mais a fundo os pontos de vista de Melanie, da Srta. Justineau, do Sargento e da Dra.Caldwell neste mundo distópico chamado Colapso, na luta pela sobrevivência. O autor no seu primeiro trabalho como romancista conseguiu criar uma história com uma personagem principal cativante, única e que conforme ela vai descobrindo mais sobre si mesma e o mundo a sua volta, ela consegue fazer com que o leitor só desgrude do livro apenas quando chega aos momentos finais. E que final! Surpreendente, muito bem escrito e que se você ainda não entendeu o título, leia!Porque você irá se apaixonar não apenas pela história maravilhosa, como também pelos personagens assim como eu.        

28 comentários:

  1. Nossa Jennifer, eu já tinha ouvido desse livro mas não como você fez na resenha. Imagine a situação dessas crianças. Pelo que eu entendi, desde que sempre elas vivem assim e não conhecem nada além dessa rotina e de todo esse aprisoamento.
    Fiquei curiosa para saber como a história vai se desenrolar.
    Beijokas
    [SORTEIO]Baile Literário
    Quanto Mais Livros Melhor

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    1. Oi Pricila! Pois é, também fiquei com muita pena das crianças. Que bom que gostou, bjss!

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  2. Nossa! Não é meu estilo, mas estou super curiosa!

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    1. É muito bommm Yohanna, você vai se surpreender kk!Bjss!

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  3. Olá ♥
    Não conhecia a obra e quando vi a capa pudia jurar que era algo mais voltado para o sobrenatural. É uma temática pesada e sempre tenho costume de fugir desse tipo ainda mais quando temos crianças no enredo, porém sua resenha me chamou muita atenção mostrando vários pontos que eu gostaria de conhecer da estória.Única coisa que não me agrada muito é a narração em terceira pessoa, mas nada que me impeça de ler o livro. Parabéns pela resenha. Beijos!

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    1. Olá!Também tinha esse medo sobre a narração em terceira pessoa mas acabei gostando bastante kk principalmente nas partes da Melanie. Obrigada, bjss!

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  4. Caramba! Sequer imaginava do que se tratava esse livro é adorei. Sua resenha está incrível e me deixou louca pra saber o que acontece com a menina e a professora!

    Bjss

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    1. Olá Denise! Obrigada, que bom que gostou! Elas vão passar por muita coisa, só não conto mais para não dar spoiler kkk. Bjss!

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  5. Olá Jennifer, não conhecia o livro, mas a premissa me chamou bastante a atenção, com certeza eu leria esse livro e adoraria. Bjokas.

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  6. Olá
    Já faz um tempo que quero ler esse livro, conhecia muito pouco dele é esse pouco já me deixava curiosa, com sua resenha completa desse jeito me deixou ainda mais animada. Agora preciso saber o que tem atrás da porta de metal.

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  7. Esse é um dos livros que mais tenho interesse em ler, comecei ler ele ano passado no celular e acabei desistindo por ser em pdf, porém pretendo comprar ele em físico e ler.
    Beijinhos da Morgs!

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  8. Oi Jennifer!
    Arrepiei com a resenha. Nunca havia lido nenhuma, pois a capa não me chamou atenção. Me enquadro no famoso "não julgue o livro pela capa" hahaha.
    Achei a história surpreendente e tive pena da Melanie, por ser o que é e não ter controle sobre isso.
    Espero que Jistineau consiga fazer algo a respeito... ou mesmo a dra Caldwell.
    Bj

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  9. Ola Jenni lindona achei muito interessante esse premissa. e o mundo criado pela autora, apenas a parte de comer carne humana me incomodou um pouco, sua resenha bem detalhada despertou minha curiosidade. Dica anotada. beijos

    Joyce
    Livros Encantos

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  10. Olá! menina que livro! só a resenha me assustou kkkkkkkkk esse negocio de gente comendo gente. Não é meu estilo. Mas para quem curte deve ser incrível. bjs

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    1. Olá! É assustador mesmo kkkk mas é bem diferente dos zumbis, é uma história incrível mesmo. Bjss!

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  11. Olá, tudo bem?

    Não conhecia a história, quer dizer... a base dela é bastante explorada pelo cinema, mas o desenvolvimento pelo visto é muito diferente. Gostei bastante e coloquei na minha lista de possíveis leituras - falta de tempo é uma coisa muito chata.

    Bjsss

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    1. Olá!Com certeza,o que eu mais gostei do livro foi que o autor colocou bastante detalhe na história da infecção. Fico feliz que gostou! Poxa, é verdade kkk. Bjss!

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  12. Caraca, eu tinha anotado esse livro na minha lista faz muito tempo, só que acabei perdendo ela e automaticamente, esqueci desse livro. Lendo a sua resenha me lembrei e me deu uma vontade súbita de conferir essa obra - que meu, parece perfeito! Amei!

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    1. Olá Aline! Simmm a história é maravilhosa, leia sim. Obrigada, bjss!

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  13. Oie!
    Eu já li esse livro, mas esperava mais da história. Foi um livro que li naquela expectativa, mas a narrativa não me envolveu como eu esperava.
    Talvez lendo em outro momento eu tenha outra visão da trama.
    bjks!
    Histórias sem Fim

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    1. Olá Carla! Poxa que pena, mas entendo totalmente!Verdade, de repente na segunda vez seja melhor. Bjss!

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  14. Oi, Jennifer
    Confesso que estou conhecendo esse livro hoje aqui com sua resenha. Gostei bastante da premissa e leria por conta de seus elogios. Quando temos uma ótima protagonista e com um enredo emocionante, é difícil resistir.

    Blog Livros, vamos devorá-los?

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  15. Oi! Também acabei de conhecer o livro pela sua resenha. Parece muito interessante... apesar de eu ser medrosa, me deu muita vontade de ler hahaha
    Vou por na lista de leitura, obrigada pela dica!

    bjs Papierllon

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  16. Olá,

    Conheço a obra, porém nunca li, e sendo totalmente honesta, não senti um pingo de interesse em relação a esse livro. Sei que tem muitas pessoas que falam bem, teve um tempo em que esse livro está no hype, só que nunca senti o desejo de conhecer a obra, nunca me atraiu sabe.

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  17. Heiii, tudo bem?
    Que história interessante!!
    Como assim nao conhecia esse A Menina Que Tinha Dons!
    A capa é bem interessante, e a premissa ja nos deixa bem curiosos com tudo.
    Gostei do que falou do livro e acho que vou gostar tb.
    Beijos.

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  18. Olá, tudo bem? Nossa que história meio medonha (?) a premissa junto com a sua resenha é de arrepiar. Essa questão da mesma personagem ser a mocinha e o monstro também é bem diferente do que vemos no mercado editorial, lembro de só ver algo parecido em Jovens de Elite. Isso por si só já me faria correr para ler o livro, adicionado mais o fator de o título é condizente com a história, quero para ontem. Ótima resenha!
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com

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  19. Oi,
    Eu já tinha visto esse livro nas redes sociais, mas nunca pensei que a história seria tão emocionante.
    Muito bom saber que você gostou, vou anotar na minha lista.
    parabéns pela resenha
    beijos
    Daya

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  20. Oi Jennifer, tudo bem?

    Acho que essa é a primeira resenha que leio sobre esse livro, então fiquei completamente curiosa com a proposta e com o duro dilema que é a vida da pequena Melanie e as outras crianças. Adorei suas impressões e com certeza irei incluir essa dica na minha lista de leituras.

    Bjs, Glaucia.
    www.maisquelivros.com

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