20/05/2017

[ RESENHA ] Boneco de Pano

Título: Boneco de Pano (Detetive William Fawkes #1)
Autor: Daniel Cole
Editora: Arqueiro
Páginas: 336
Estrelas: 5/5
Livro: Cortesia da Arqueiro

VOCÊ ESTÁ NA LISTA DE UM ASSASSINO. E ELA DIZ QUANDO VOCÊ VAI MORRER.O polêmico detetive William Fawkes, conhecido como Wolf, acaba de voltar à ativa depois de meses em tratamento psicológico por conta de uma tentativa de agressão. Ansioso por um caso importante, ele acredita que está diante da grande chance de sua carreira quando Emily Baxter, sua amiga e ex-parceira de trabalho, pede a sua ajuda na investigação de um assassinato. O cadáver é composto por partes do corpo de seis pessoas, costuradas de forma a imitar um boneco de pano.Enquanto Wolf tenta identificar as vítimas, sua ex-mulher, a repórter Andrea Hall, recebe de uma fonte anônima fotografias da cena do crime, além de uma lista com o nome de seis pessoas – e as datas em que o assassino pretende matar cada uma delas para montar o próximo boneco. O último nome na lista é o de Wolf.Agora, para salvar a vida do amigo, Emily precisa lutar contra o tempo para descobrir o que conecta as vítimas antes que o criminoso ataque novamente. Ao mesmo tempo, a sentença de morte com data marcada desperta as memórias mais sombrias de Wolf, e o detetive teme que os assassinatos tenham mais a ver com ele – e com seu passado – do que qualquer um possa imaginar.Com protagonistas imperfeitos, carismáticos e únicos, aliados a um ritmo veloz e uma deliciosa pitada de humor negro, Boneco de Pano é o que há de mais promissor na literatura policial contemporânea.
 

A história começa no dia 24 de Maio de 2010, onde Samantha Boyd já atrasada, tentava passar despercebida pela multidão de repórteres e jornalistas enquanto ia em direção ao prédio Old Bailey, o infame e centenário tribunal no centro de Londres.  Desde o primeiro dia do Julgamento a imprensa vinha acompanhando de perto todos os envolvidos. E sendo uma das juradas, Samantha, além de ter sua foto nos grandes jornais do planeta durante os 46 dias de Julgamento, ela também estava sendo perseguida por jornalistas determinados a tirar dela alguma informação importante. Então, para que isso não se repetisse, as autoridades tomaram a decisão de isolar todos os jurados num mesmo hotel até o horário da audiência.

Seria um Julgamento Histórico e por isso, a Sala 1 era a mais indicada para o caso, pois era usada exclusivamente para o julgamento dos casos mais críticos e uma das salas mais famosas do mundo. Era nela que a maioria das celebridades do universo do crime havia passado para responder aos seus inúmeros pecados. Dentre os membros que resolveriam o destino do acusado, como o Juiz, a equipe de acusação e defesa, o júri e entre outros, também estava o responsável pela detenção do réu e que também era a figura central de toda a controvérsia. O Detetive William Oliver Layton- Fawkes, também conhecido como Wolf por conta das iniciais do seu nome. Wolf não havia faltado nenhum dos 46 dias, escondido no seu assento junto da saída, ele não fazia mais do que ficar olhando para o réu trancafiado no aquário, um cercadinho elevado com um guarda- corpo de vidro, pois até que fosse considerado inocente das acusações, ele representava sinal de perigo para o resto da sociedade.

O réu se chamava Naguib Khalid, conhecido como O Cremador, apelido sugerido pela imprensa e que se revelara ser o serial killer mais prolífico de toda a história londrina. 27 vítimas em 27 dias, todas elas prostitutas de 14 a 16 anos que haviam sido profundamente sedadas antes de serem queimadas vivas, e a maioria fora encontrada ainda em chamas. Até então, por conta do fogo que destruía as pistas, e sem nenhum suspeito, a Polícia Metropolitana fora criticada por sua inércia. Mas dezoito dias após a última morte, Wolf havia encontrado e prendido o homem. Sendo um cidadão britânico de origem paquistanesa, muçulmano sunita. Khalid tinha um pequeno histórico não muito grave de incêndios criminosos, e o caso parecia resolvido até que provas fundamentadas em amostras de DNA vinculadas com três vitimas ao banco traseiro do seu carro, haviam sido apresentadas ao júri após o depoimento de Wolf.  E parecia que a justiça finalmente seria feita pela morte das moças... Até que tudo muda.


 Álibis, relatórios de vigilância para contradizer o depoimento de William, incluindo uma carta a corregedoria escrita por um policial anônimo, dizendo estar preocupado com o modo obsessivo e emocional com que o detetive vinha conduzindo a investigação chegando a ponto de recomendar o afastamento dele. Os tabloides não falavam de outra coisa que não fosse o malfadado detetive e seus supostos problemas com o álcool ou a suposta agressividade que havia arruinado o seu casamento. Com isso, os jurados não tiveram outra escolha a não ser inocentar o réu de todas as acusações. Enquanto Khalid tremia de alívio com o rosto entre as mãos; o tumulto começa. Como sua última tentativa desesperada, Wolf não demora mais do que alguns segundos para alcançar o aquário e içar Khalid pela cabeça. Desabando de mau jeito no chão, Khalid não tem tempo de reagir, pois era brutalmente atingido nas costas e levava repetidos golpes no rosto, deixando a mão de Wolf ferida por tamanha violência. Porém um murro de Khalid o faz despencar sobre a bancada dos jurados e cair em cima de Samantha, sujando-a com seu sangue.

Mas isso não o impede de desistir, Wolf prossegue com os ataques, pois precisava ter certeza de que ele estava morto e acabar com aquilo de uma vez por todas, porém um alarme é disparado e ele é detido por porretes, rendido e empurrado por um dos seguranças. Com isso, ele percebe que nada mais podia ser feito, então ele reza para que fosse suficiente. Infelizmente não era.

Quatro anos se passaram desde o “Massacre do Tribunal”, como ficara conhecido aquele dia que além de tê-lo feito famoso também mudara a vida de Wolf para sempre, e mal sabia ele que a partir de uma ligação, ela mudaria outra vez. Para pior, é claro! Era 3h:50 quando Wolf no seu novo apartamento, ouve seu celular tocando.  Era seu chefe Simmons, lhe pedindo que no seu dia de folga ele fosse até a cena de um crime, pois era algo muito grave, mas não lhe diz mais nada sobre o ocorrido. Wolf fica intrigado, porém resolve deixar o questionamento de lado e fazer o que lhe mandaram. Sem deixar de reclamar por ter que trabalhar no dia de folga, Wolf anota o endereço que seu chefe lhe instruía, mas por conta de uma luz de carros de polícia que refletia na sua janela, ele percebe que o crime aconteceu no prédio em frente ao seu.

Chegando lá, o detetive é instruído a subir para o quarto andar e rapidamente o cheiro da morte é impregnado nas suas narinas vindo da porta escancarada no fim do corredor, mais especificamente de ar podre, bosta, mijo e carne em decomposição. Wolf é surpreendido pela detetive Emily Baxter que vinha em sua direção pegando-o pelo braço e puxando-o para dentro do apartamento, que estava iluminado apenas por algumas lanternas estrategicamente distribuídas. Wolf finalmente descobre o que Simmons estava escondendo, ou que ele precisava urgentemente ver com os seus próprios olhos.

“(...) um corpo nu flutuava cerca de 30 centímetros acima das tábuas empenadas do piso, de costas para o quarto, pendurado a dois ganchos industriais por meio de centenas de fios de náilon quase invisíveis. Contorcia-se numa posição pouco ou nada natural, mas Wolf demorou alguns segundos para perceber o aspecto mais desconcertante daquela cena por si só tão surreal: uma perna negra anexada a um tronco branco. Intrigado, ele se aproximou para ver melhor. Gigantescos pontos cirúrgicos alinhavam as partes desconexas de corpos diferentes. De um lado, uma perna masculina negra; do outro, uma feminina branca. À direita, a mão grande de um homem; à esquerda, a mão bronzeada de uma mulher. O negro dos cabelos desgrenhados fazia um forte contraste com a pele alva e sardenta do tronco feminino.” Pág:22

A sua frente, um cadáver de aparência grotesca e horripilante que não apenas estava pendurado de uma forma sinistra e com ausência de sangue, como também possuía seis corpos unidos tornando-o uma macabra escultura de membros amputados. E ao examinar melhor o monstrengo, Wolf percebe que o rosto, é de ninguém menos que Naguib Khalid, O Cremador. Simmons, que surge para avaliar o corpo, rapidamente muda de fisionomia, do ceticismo para preocupação e exige que Baxter vá o mais rápido possível para o presídio de Belmarsh e que falasse com o diretor para saber se Khalid ainda estava vivo. Aí vocês me perguntam, mas Khalid não havia sido solto?

Bom, todos que souberam do ocorrido no tribunal queriam praticamente o sangue de Wolf, que ele fosse preso e taxado para sempre como exemplo de “policial mal”. Além de ninguém ter ficado do seu lado, seus superiores não tiveram outra escolha a não ser colocá-lo num tratamento psiquiátrico, como desculpa pelo estresse do caso que desencadeou um comportamento “totalmente incaracterístico”. Um tratamento contínuo para uma doença diagnosticada como TPA “Transtorno de Personalidade Antisocial”. Wolf ficou um ano de internação no hospital St Ann’s e foi rebaixado no trabalho. Com a reputação em frangalhos, ele ainda recebeu os papéis do divórcio. Porém, até que numa manhã fria de fevereiro, encontraram Khalid ao lado do cadáver estorricado de uma adolescente, e todos aqueles que ficaram contra o detetive, perceberam que se tivessem ouvido Wolf, a menina não teria morrido.

Parece que o jogo virou não é mesmo? Contudo, tinha outra coisa muito mais assustadora do que apenas a suposta cabeça do Khalid, pois a mão feminina do cadáver estava assustadoramente apontada para a janela de Wolf.


Conforme o detetive e os outros policiais da Scotland Yard tentavam a todo custo desvendar quem eram as seis vítimas, Andrea, a ex- esposa de Wolf e também uma brilhante e ao mesmo tempo ambiciosa repórter, estava muito aflita e tentando contatá-lo a todo custo, pois ela não apenas havia recebido um envelope que continha algo que poderia tanto alavancar a sua carreira como também faria exatamente o que o serial killer queria; atenção para a sua “obra prima”. Porém ela precisava saber se o que continha no envelope era verdade antes de tomar qualquer decisão.

O envelope não apenas continha fotos do cadáver como também uma lista das próximas seis vítimas junto com a assustadora data de suas mortes. Contudo, o que mais assustou não apenas a Andrea, mas também a todos os seus colegas, foi que Wolf estava marcado para ser a última vítima. Era um tipo de jogo doentio e que a participação Wolf era imprescindível na tentativa de salvar as vítimas, porém o detetive era emocionalmente instável e a qualquer momento ele poderia surtar assim como no “massacre do tribunal”.

“-Então... vamos acabar logo com isso, antes que a comandante volte. O que é que vamos fazer com você?-Comigo?-Bem, esta é aquela reunião em que eu digo que você está envolvido demais no caso, sugiro que é do interesse de todo mundo que você seja afastado, aí você... Wolf abriu a boca para dizer algo, mas Simmons não deixou.- Aí você me manda à merda, e eu relembro o que aconteceu com Khalid, depois você me manda ir a merda de novo, e só então eu acabo cedendo, deixando que você continue no caso, mas advertindo que, ao primeiro sinal de preocupação por parte dos seus colegas de equipe, da sua psiquiatra ou da minha própria parte, você será realmente afastado, sem direito a choro. É isso, foi muito bom conversar com você.” Pág:73

E para que isso não se repetisse, talvez Wolf precisasse se afastar. Mas Baxter, Simmons e outros amigos de Wolf irão descobrir que isso poderá apenas piorar a situação.  

“Se vocês não respeitarem as regras do jogo, não serei eu a respeitá-las.” Pág:175
“Na certeza de vencer, qualquer covarde pode se jogar numa batalha; comigo quero apenas os que têm a coragem de lutar quando sabem que vão perder.” Pág: 316


Devo confessar que sofri bastante para escrever essa resenha por medo de soltar algum spoiler para vocês haha. Gente que livro maravilhosooo! Fiquei indignada com o modo como ninguém ficou do lado do Wolf e com a injustiça de mandarem-no para um hospital psiquiátrico. Também fiquei com raiva e ao mesmo tempo fascinada com a engenhosidade do serial killer, sério gente! É muito assustador, porque ele não é apenas frio e calculista, também possui uma mente muito inteligente e metódica. Wolf se tornou o meu personagem favorito, eu sofria junto com ele e queria a todo custo que ele pegasse esse son of a bitch haha. Achei o Simmons muito divertido e explosivo, principalmente quando Wolf estava sendo teimoso, Emily é uma detetive durona, mas que no fundo não apenas havia se arrependido de não ter apoiado Wolf na época como também o admirava muito como detetive e pessoa, e ela também tentará de tudo para salvar seu amigo. 

Finlay é um policial com sotaque escocês, quase aposentado e também tornava a história mais divertida quando ele e Wolf estavam juntos. Edmunds é um jovem transferido do Departamento de Fraudes, também era muito inteligente, mas que não era muito valorizado por ser novo no Departamento, mas que ajudará muito no caso do Boneco de Pano.  A capa e a diagramação como sempre estão belíssimas, as páginas são amarelas e a escrita é em terceira pessoa, onde podemos ver pela perspectiva de todos os personagens. Bom, quase todos haha. Tem ação e suspense na medida certa, a trama é envolvente e viciante. Sem deixar de mencionar o final que me deixou ansiosa pela continuação. Vale muito a pena conferir!              

11 comentários:

  1. Tenho escutado maravilhas sobre essa obra. "Conteúdo bem amarrado", "suspense do início ao fim", "dá medo de verdade"... Sua resenha só veio para mostrar ainda mais que é um livro que merece entrar na lista de leitura desse ano.

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    1. Oi, Mari! Simm, é tudo isso e muito mais haha. Obrigada,que bom que gostou! Bjss.

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  2. U.A.U.
    Adorei a premissa do livro. Sou fã de um bom livro polícia.
    Fiquei curiosa sobre os bonecos de pano humanos e o que está por trás disso.
    Super quero ler.
    Bj

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    1. Oi, Michelle! Obrigada! Aah então você irá amar esse livro haha! Nossa, ele vai te surpreender. Bjss!

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  3. O livro parece muito bom mesmo, mas eu não o leria. Não gosto muito de livros de suspense policial, sempre acabo me distraindo.
    Beijos
    Mari
    www.pequenosretalhos.com

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    1. Oi, Mari! Poxa que pena, esse foi tão sinistro que eu nem consegui me distrair haha. Bjss!

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  4. Oiii Jennifer tudo bem?
    Menina eu tenho tanta vontade de ler esse livro que você nem imagina, principalmente por todo o suspense que ele parece ter a e até mesmo essa capa conseguiu me conquistar.
    Beijinhos

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    1. Oii, Morgs! Posso imaginar haha.Simm, ele é muito bom e vai te surpreender. A capa é realmente maravilhosa! Bjss.

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  5. Já gostei!!! Gosto bastante do gênero, ainda mais envolvendo mistérios, to doido pra saber qual a ligação entre as vítimas citadas na lista. Parabéns pela resenha, dica anotada!!

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  6. Olá, tudo bem?

    Confesso que ainda não tinha visto nada sobre esse livro, até o momento, não que me lembre. Todavia, estou colocando o título na listinha de desejados, porque sério, sua resenha me deixou curiosa e com vontade de conhecer a história.

    Beijo!

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  7. O livro conter uma trama bem narrada, e com um crime bem incomum!! O polêmico detetive William Fawkes, conhecido como Wolf, tem a oportunidade de trabalhar no caso e tentar descobrir quem é o assassino, uma vez que o mesmo está prestes a agir, e o nome de Wolf está na lista das seis próximas vítimas!! Já quero ler!!

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